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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Bem instrumental...

Devido aos recorrentes pedidos de socorro da professora Leonor e de um monte de colegas, resolvi postar um resumão com o que mudou com o novo acordo ortográfico de acordo com o que pesquisei no site do ig educação: (http://images.ig.com.br/hotsites/reforma_ortografica/infografico.html). O site do ig é bem organizado e apresenta as mudanças de todos os países de língua portuguesa, tem mapinha e tudo (rsrsrssr).
Como muitos sabem, a partir de janeiro de 2009 entrou em vigor o novo acordo ortográfico, as mudanças no idioma visam universalizar a língua portuguesa. Facilitando o intercâmbio cultural entre os países lusófonos, ou seja que falam português, entre outras coisas. No Brasil 0,5% das palavras sofreram modificações, em Portugal e nos restantes países lusófonos, as mudanças afetaram cerca de 2.600 palavras, ou seja, 1,6% do vocabulário total.
Alfabeto• Nova Regra: O alfabeto agora é formado por 26 letras• Regra Antiga: 'k', 'w' e 'y' não eram consideradas letras do nosso alfabeto.• Como Será: Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: km, watt, Byron, byroniano
Trema• Nova Regra: Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano•

Acentuação• Nova Regra: Ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas ( repetindo paroxítonas portanto "herói" ainda tem acento.)
• Regra Antiga: assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, panacéia, Coréia, hebréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico• Como Será: assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico.
Observações:
• nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis.• o acento no ditongo aberto 'eu' continua: chapéu, véu, céu, ilhéu.
• Nova Regra: O hiato 'oo' não é mais acentuado• Regra Antiga: enjôo, vôo, corôo, perdôo, côo, môo, abençôo, povôo• Como Será: enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo• Nova Regra: O hiato 'ee' não é mais acentuado• Regra Antiga: crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, revêem• Como Será: creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem.
• Nova Regra:
Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas • Regra Antiga: pára (verbo), péla (substantivo e verbo), pêlo (substantivo), pêra (substantivo), péra (substantivo), pólo (substantivo)• Como Será: para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo)
Observação:• o acento diferencial ainda permanece no verbo 'poder' (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo - 'pôde') e no verbo 'pôr' para diferenciar da preposição 'por'
• Nova Regra: Não se acentua mais a letra 'u' nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de 'g' ou 'q' e antes de 'e' ou 'i' (gue, que, gui, qui)• Regra Antiga: argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe, enxagúemos, obliqúe• Como Será: argui, apazigue,averigue, enxague, ensaguemos, oblique (obs:. essa eu nem sabia que existia, acho que nunca ouvi falar dessa regra, sinal que já estava pronta para o novo acordo. rsrsrsrs)
• Nova Regra: Não se acentua mais 'i' e 'u' tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo• Regra Antiga: baiúca, boiúna, cheiínho, saiínha, feiúra, feiúme• Como Será: baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume.
Hífen• Nova Regra: O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por 'r' ou 's', sendo que essas devem ser dobradas• Regra Antiga: ante-sala, ante-sacristia, auto-retrato, anti-social, anti-rugas, arqui-romântico, arqui-rivalidae, auto-regulamentação, auto-sugestão, contra-senso, contra-regra, contra-senha, extra-regimento, extra-sístole, extra-seco, infra-som, ultra-sonografia, semi-real, semi-sintético, supra-renal, supra-sensível• Como Será: antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensívelObservação:• em prefixos terminados por 'r', permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc.
• Nova Regra: O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal:
• Regra Antiga: auto-afirmação, auto-ajuda, auto-aprendizagem, auto-escola, auto-estrada, auto-instrução, contra-exemplo, contra-indicação, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neo-expressionista, neo-imperialista, semi-aberto, semi-árido, semi-automático, semi-embriagado, semi-obscuridade, supra-ocular, ultra-elevado.
• Como Será: autoafirmação, autoajuda, autoaprendizagem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.
Observações:• esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc.
• A presente regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por 'h': anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo etc.• Nova Regra: Agora utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal.• Regra Antiga: antiibérico, antiinflamatório, antiinflacionário, antiimperialista, arquiinimigo, arquiirmandade, microondas, microônibus, microorgânico.
• Como Será: anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânicoObservações:• esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente = não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen• uma exceção é o prefixo 'co'. Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal 'o', NÃO utliza-se hífen.
• Nova Regra: Não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição• Regra Antiga: manda-chuva, pára-quedas, pára-quedista, pára-lama, pára-brisa, pára-choque, pára-vento.
• Como Será: mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, parachoque, paravento.
Observação:• o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constiui unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi etc.
O uso do hífen permanece:
• Em palavras formadas por prefixos 'ex', 'vice', 'soto': ex-marido, vice-presidente, soto-mestre
• Em palavras formadas por prefixos 'circum' e 'pan' + palavras iniciadas em vogal, M ou N: pan-americano, circum-navegação
• Em palavras formadas com prefixos 'pré', 'pró' e 'pós' + palavras que tem significado próprio: pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação
• Em palavras formadas pelas palavras 'além', 'aquém', 'recém', 'sem': além-mar, além-fronteiras, aquém-oceano, recém-nascidos, recém-casados, sem-número, sem-tetoNão existe mais hífen
• Em locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais): cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel, sala de jantar, cartão de visita, cor de vinho, à vontade, abaixo de, acerca de etc.
• Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-dará, à queima-roupa.
Por Natália P. J. Santos

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

E agora mais essa!

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Esse ano entrou em vigor a Nova Ortografia da Língua Portuguesa a fim de sincronizar a ortografia de todos os países que falam Português: não temos mais alguns acentos agudos e circunflexos, o trema e o acento diferencial deixaram de existir e não precisamos mais do hífen em certos casos.

Minha opinião pode parecer um pouco reacionária, mas eu sou uma das pessoas que sentem saudades da antiga ortografia. Tenho a língua como parte da cultura do local onde é falada e, mesmo que alguns países falem o Português, ele não será completamente igual em todos eles. Essa diferença ocorre não só entre países, mas até mesmo dentro da mesma cidade podemos encontrar uma diversidade na linguagem dos diferentes grupos sociais, as conhecidas “tribos urbanas”. Marcos Bagno, que já deu o ar da graça por aqui em posts anteriores, afirma que no Brasil não se fala Português, aqui se fala Português Brasileiro, e eu concordo plenamente com ele!

Vocês podem rebater meu “protesto” com aquela questão tão conhecida por nós: a língua escrita não é igual a língua falada. É verdade, mas além das variantes dependentes e independentes que estudamos lá em sociolinguística, eu vejo, na língua, o reflexo da cultura de um povo. Sendo assim, mesmo com a unificação ortográfica, não teremos uma unificação total no vocabulário da língua uma vez que há uma diversidade lexical entre os países (giro, descolagem, etc). O Português já sofreu tantas mudanças ao longo do tempo e, se os acentos, trema e hífen sobreviveram não foi por acaso. Eu sou uma admiradora da minha língua (e como vocês podem perceber, as vezes sou meio possessiva - além de conservadora), um texto bem escrito é uma obra prima e ter que escrever nessa confusão que ficou o Português não é mais a mesma coisa. Idéia pra mim é idéia, essa ideia que estão me obrigando a escrever, cá entre nós, é meio sem graça.

Tanta mudança para unificar uma língua com o objetivo de facilitar a compreensão entre todos os países que falam Português. Estranho: tenho amigos portugueses e sempre consegui entender o que eles escrevem, mas tenho uma pequena dificuldade de compreender o que eles falam, preciso prestar bastante atenção, mas entendo tudo. Estamos em Agosto, oito meses após a implantação da reforma, e a situação continua a mesma: o que eu compreendia antes, hoje compreendo do mesmo jeito, nada mudou.

A reforma foi pra que mesmo?




Nathália Pinto