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sábado, 11 de junho de 2011

Análise literária do conto “O Cobrador”, de Rubem Fonseca

Por Verônica Barbosa

O conto “O Cobrador”, de Rubem Fonseca, é narrado em primeira pessoa. Sendo representante da vertente da brutalidade no espaço urbano, aborda amplamente a violência tanto física como moral. O personagem principal da narrativa não apresenta um nome próprio, além disso, declara que não faz parte daqueles que são cobrados, mas daqueles que cobram, autodenominando-se “O Cobrador”.

Nesse conto, Rubem Fonseca mostra um personagem-narrador completamente revoltado com a classe média alta. Isso é nítido nas suas afirmações: “Odeio dentistas, comerciantes, advogados, industriais, funcionários, médicos, executivos, essa canalha inteira. Todos eles estão me devendo”.

A primeira cena de brutalidade no conto, cometida pelo cobrador, ocorre em um consultório dentário, no momento em que se recusa a pagar pelo serviço odontológico: “Eu não pago mais nada, cansei de pagar, agora eu só cobro!”. Outro exemplo de violência ocorre na rua, quando o cobrador atira e fere o motorista de uma Mercedes. Ainda, em outra situação, engana o vendedor de armas pedindo para ver um rádio que deseja comprar e assim tem a oportunidade de matá-lo.  Outra cena monstruosa que o personagem comete é a do estupro, uma ação extremamente violenta contra uma mulher casada.

É importante salientar que o Cobrador não apresenta um comportamento único e linear no conto. Em alguns momentos de ódio e de revolta, agride, estupra, mata as pessoas, sentindo-se aliviado e de bem consigo ao realizar os seus atos cruéis e violentos: “Quando satisfaço meu ódio sou possuído por uma sensação de vitória, de euforia que me dá vontade de dançar – dou pequenos uivos, grunhidos, sons inarticulados, mais próximos da música do que da poesia”.

Um aspecto interessante nesse conto de Rubem Fonseca é a incorporação dos meios de comunicação de massa, como a referência aos Jornais cariocas, à revista feminina de moda, ao rádio, ao cinema e à televisão. A utilização desses meios midiáticos pelo personagem contribui para aumentar ainda mais a sua ira e vingança contra a classe burguesa, como ele mesmo afirma: ”Quero viver muito para ter tempo de matar todos eles”.

Em outros momentos do conto, o Cobrador mostra-se extremamente carinhoso, bondoso, amoroso, pois cuida de uma senhora inválida, dona Clotilde, a proprietária da casa em que mora. Outra característica contrária ao padrão de personalidade do Cobrador é seu amor por Ana Palindrômica, uma moça rica, da classe social que ele tanto detesta. Essa atitude deixa o leitor confuso em relação à identidade de ambos, por essa união de indivíduos de classes sociais completamente opostas.

Em suma, em “O Cobrador” ocorre esse amor entre duas pessoas diferentes, sendo uma burguesa e um psicopata. Isto é, um marginal que prática várias atrocidades por achar que a sociedade está lhe devendo. No final do conto, Ana Palindrômica surpreende a todos, inclusive, o leitor, com sua atitude revolucionária. Demonstrando, assim, a sua verdadeira personalidade, ao ensinar ao Cobrador novas técnicas de destruição, para matar mais pessoas em menos tempo. E o Cobrador ainda deixa claro para o leitor que seu ódio estava sendo desperdiçado, pois não sabia ao certo quem era o inimigo e por que era inimigo, finalizando: “Agora eu sei, Ana me ensinou. E o meu exemplo deve ser seguido por outros, muitos outros, só assim mudaremos o mundo”.

terça-feira, 31 de maio de 2011

HORA da PAELLP

           Por  Simeia de Castro 


            Calma meus caros, não se assustem com a sigla, não estamos propondo nenhum Partido da Língua Portuguesa!

            A PAELLP é a abreviação da disciplina Pesquisa Aplicada ao Ensino de Literaturas de Língua Portuguesa, ufa, terminei de digitar! Lembrei até do extenso nome do nosso falecido Imperador Pedro II, sem mencionar a ascendência parental do Soberano!

            Os alunos de Licenciatura Plena em Letras – habilitação em Língua Portuguesa – cursam PAELLP, que visa apresentar os fundamentos gerais da pesquisa de campo e da pesquisa bibliográfica referente à área de Literatura – tipos de pesquisas e instrumentos – sendo exigida a elaboração de um Projeto de Pesquisa destinado ao TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Neste sentido, a disciplina tem como objetivos, conhecer alguns dos diversos tipos de abordagens teóricas utilizadas para analisar o texto literário.

            De acordo com Dalberio (2009)¹, o projeto é o passo inicial de uma pesquisa, tendo fundamental contribuição na produção de conhecimento. Para isso requer planejamento e a sistematização das intenções do que vem a ser investigado.

            O autor destaca algumas etapas essenciais para um projeto de pesquisa, que podemos sintetizá-las da seguinte forma: (1) Tema (Ideia geral sobre uma proposição tratada ou demonstrada); (2) Assunto (Aquilo que é selecionado para investigação); (3) Levantamento Bibliográfico (Fontes e publicações sobre o assunto); (4) Delimitação do assunto (Mostrar de forma inteligível o que vai ser pesquisado); (5) Problematização (Exposição das inquietações/questionamentos que serão respondidos a partir de uma investigação metódica e sistemática); (6) Hipóteses (Resposta provisional ou ideia preestabelecida, apresentada como solução do problema a ser investigado); (7) Objetivo Geral (Expressa o alcance da pesquisa, deve-se utilizar verbos no infinitivo); (8) Roteiro Temático (Definição dos tópicos e subtópicos que serão desenvolvidos no relatório final da pesquisa); (9) Objetivos específicos (Expressam o que será feito em cada capítulo ou seção do relatório final da pesquisa); (10) Justificativa (O porquê da realização do projeto, deve ser apresentado de forma convincente. Três elementos são indispensáveis: problematização, teoria base e objetivos); (11) Procedimentos Metodológicos (Apresentação do caminho que será utilizado para confecção da pesquisa); (12) Cronograma (Etapas ou fases do processo de pesquisa).   

            Vale salientar que um projeto de pesquisa não é necessariamente estruturado nesta sequência de etapas, enumeramos assim para respeitar a ordem proposta pelo referido autor. No caso da PAELLP, é requerido apenas: Apresentação, justificativa, objetivos, procedimentos metodológicos, cronograma e referências.  

            Merece atenção refletirmos sobre a importância da disciplina de PAELLP e a relevância de suas propostas para a formação do discente pesquisador. O aluno será desafiado aos “insights”, ou seja, poderá escolher aquilo que deseja pesquisar no campo literário. Ao término das atividades, poderá ainda optar por desenvolver o trabalho e aprofundar a pesquisa para a elaboração do TCC.

            Em suma, é gratificante termos a oportunidade de cursar uma disciplina em que vemos a parte teórica unir-se ao trabalho prático através da discussão do texto literário, os operadores de leitura, além de fazermos um breve panorama das tendências da Teoria Literária, culminando com a elaboração de um Projeto de Pesquisa. 

           



___________________
1 DALBERIO, Oswaldo. Metodologia Científica: desafios e caminhos. Coleção Educação Superior. Paulus, 2009, pp.50-87.  

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Literatura?


Por Ana Ximenes Gomes

Recentemente li um texto de Carlos Ceia, O poder da leitura literária (contra as formas de impoder), que a meu ver constrói uma crítica à postura hermética de Harold Bloom que tira o poder literário e constitutivo de aprendizagem de livros não canônicos. Assim, vê-se uma questão já conhecida como “o que é literatura?” gerar outra questão trivial: “O que não é literatura?”. Tudo isso, dentro da academia que vivemos, torna muito válida a discussão sobre uma descanonização da literatura.

De acordo com Antonio Candido, a literatura seria uma transposição do real, portanto podemos ver que não se limita a uma rotulação ou segregação de cânones. Os clássicos não podem ser vistos como uma representação única do que é literatura, principalmente para aqueles que estão se iniciando nesta arte, mesmo que como apreciadores, e por que não, curiosos.

Destacando esta última palavra, curiosidade – que também pode ser ligada ao prazer ou ao deleite – é vista como sentimento, na maioria das vezes, precursor de uma aprendizagem literária. A literatura é uma forma de se imitar a realidade, é o instante em que a linguagem é transformada e recriada pelo autor tendo o leitor como, além de apreciador, também um participante desta ação.

Portanto, como dizer que um livro ou outro não é literatura? Há a possibilidade de pensar através da leitura de livros como Harry Potter? Se sim, todo o argumento que se contrapõe à leitura de livros como este se dissolve no seu próprio nascimento, e a esta pergunta não podemos ter resposta precisa, pois, se partirmos do pressuposto que na tríade autor-obra-público se encaixa a subjetividade deste terceiro elemento, não há caminho certo para uma definição padrão como resposta. O importante é destrinchar todos os fios desta teia de intertextualidades, que pode fazer um indivíduo sair de uma leitura de Harry Potter para outro tipo de leitura literária, e assim por diante.

            É preciso questionar o que será aprendido explicitamente e implicitamente no texto. O público infantil, por muitas vezes, tem uma filtragem reduzida diante dos textos literários e nisso os educadores podem participar de forma intervencionista, porém, esse filtro, ou questionamento, não pode cair em demasia por interesses políticos, educacionais tendenciosos ou auto-ajuda direcionada. O pensar e a imaginação devem se manter alheios a estes interesses externos, e essa preocupação deve permear tanto os literatos como os pedagogos.

            É notório pensar, de acordo com o autor, que há necessidade de se resgatar a leitura retirando-a desse papel pseudo-acadêmico que faz com que seus pseudo-leitores se foquem apenas, ou principalmente, em fazer análises codificadas para uma leitura futura já pré-dirigida. A arte não deve ser conceitualizada, não se pode enquadrá-la dentro de um paradigma científico, o que deve cativar os leitores é a infinidade de possibilidades interpretativas que o leitor pode atingir, descobrindo até um olhar nunca imaginado por outros anteriormente.

Por fim, ressaltando a liberdade de participação que textos, clássicos e não clássicos, possibilitam através da leitura, a única recomendação que deveria existir para qualquer indivíduo, em qualquer idade, em qualquer condição social, sexo ou etnia seria a de não aprisionar as possibilidades de atribuir sentidos aos livros, rotulações que não constituem a qualidade do texto, deixando sempre o leitor como parte integrante do sentido deste sentido, sendo ele o terceiro elemento, mas nem por isso menos fundamental que os demais no processo criativo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Um lugar da memória

Por Aíla Muniz


Percorrer essas ruas depois de tanto tempo não é a coisa mais fácil de fazer. O sofrimento que vivi por aqui, abafado pelos anos e novas habitações, acostumou-se a passar batido por mim. Poucas vezes calhava de se impregnar numa parede descascada que expunha a cor de tinta da época. Já era natural me esquivar de certos roteiros e bifurcações que terminassem na praça que ainda fico constrangido de chamar maldita. Talvez seja a igreja imponente ao centro que me faça querer encontrar otimismo na dor que senti sobre esses paralelepípedos. Talvez haja algo de bom, afinal. O fato é que voltar ali, por conta própria, por resolução de ano novo, nunca prometeu indiferença. Muitos podem julgar, e julgam, que o fato de eu não ter me debulhado em lágrimas em plena luz do dia, ali ao centro, como muitos fizeram, faz do meu choro algo menor. Só agora percebo que chorar baixo à noite, sentado num banco qualquer, tinha razão de ser. Voltar para casa batendo as mãos pelas grades do caminho, como uma criança – que era - fingindo que nada estava acontecendo era o mais natural que conseguiriam de mim. 

Hoje volto como o jovem adulto que se permite chorar a dor que decidiram não ser merecida, mas é. Volto amparado e sem rótulo. Fico feliz de caminhar acompanhado, contando o que cada pedaço daquele lugar me traz, sabendo que não sou vítima nem vilão para meu acompanhante. Feliz por poder entristecer numa boa vez por outra e ter alguém pra contar nessas horas. 

À segunda vista, o lugar parece outro: casas, lojas, padarias, igreja, calçamento. Mas é tudo igual, eu que cheguei diferente. E a partir dessa mudança, posso tornar acessíveis aquelas rotas. Assumindo o risco de vez ou outra ter de encostar o carro e chorar indefinidamente por ter encontrado o mínimo detalhe, o guarda de trânsito que me atravessava em frente à escola. Só assim posso me permitir transitar por um bairro que faz parte da cidade onde moro, sem cortar caminho. Porque às vezes o que eu quero só encontro lá.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Elementos químicos

Ao filho do carbono e do amoníaco

“Nem tudo o que está no ambiente ao nosso redor é percebido por nossos sentidos”, já dizia o pútrido manual deixado por teu bioquímico ancestral...

Mas, meu ar nefasto de micro partículas te capta a olho nu. Também, teu telúrico gosto é apreciado por meu maligno paladar, meu olfato se movimenta como cascavel peçonhenta e meu veneno esquenta o tato que te acalenta.

“Mas o ar possui massa”...

Mas à massa foi dado o nome de matéria, porque tal conceito elementar não procuras observar? Estude-me ingrato, entre em meu laboratório, faça dele seu refeitório, desnude-se do jaleco grotesco e brindemos o vinho picaresco.

Gênio pesquisador considere que somos porções limitadas, somos corpos de opróbrio pairando entre papaverina, morfina e narcotina... Passamos por transformações e não me acostumo com rejeições.

Mas, minha energia não se aguenta quer ser parte atuante do processo, não se resume à mísera matéria, atenta está em tua massa, conhece bem tua Raça! Não a ignore, ela é facilmente por ti percebida. Seja submisso, não se faças omisso, pois precisas dela para existir, não tens como fugir!

Minha química arrasa tua mecânica,
Minha roda trepa em tua dinâmica,
Meu eixo frui em teu cabresto...

Meu veículo de últimas reservas danou-se veloz em tua selva, tragando a daninha erva, mordendo as calorias, maquinando as boas orgias...

Desequilibramos a equação, queremos produzir a Luminosa, carregar bioluminiscência nos mazombos bosques da indecência...

Ai da Cinética, faremos intenso movimento... Por entre dores e lamentos parimos um calor gerado por freios descontrolados... Mui bem histérica quero ver tua térmica fazer muita pressão num orbe de excitação...

Até a ínfima molécula desquita-se da substância pura, quer ver nossa travessura namorar o Hidrogênio, noivar o Oxigênio, casar o vil Carbono.

Quero o gozo periódico, transgredir tua tabela...
Ser Ode de destruição dos elementos de transição...
Sou o esterco do ébrio que morreu de tanto tédio...

Sou a Hedionda da contravenção!

Quero a demolição do lídio, que morra teu primo Berílio... Enquanto calcula o Sódio, faço sexo com o Ódio...

Encho-me de potássio pra domar teu magnésio...
Enlouqueço Césio, Frâncio e Rubídio...
Coito Ítrio, Titânio e Ovídio...
Sou a Medéia do dístico elegíaco, possuída por Tântalo e Mércúrio...
Gerei Lantânio, Netúnio e Urânio,
Enquanto comia Érbio, Túlio, Itérbio, Lutécio, Nobélio e Férmio...

Venho de outras Eras, do organismo das moneras, já fui Ouro, Prata e Bronze até render-me ao teu domínio, não passo de vômito do alumínio...

Sou Ferro perecível do Caos cruel e terrível.




Simeia de Castro
João Pessoa, 28 de abril de 2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

Aula de Matemática

Por Siméia de Castro



... Eu estou de bem com um grande mal... Num insano viver de descompassos, desde o dia em que teus passos cruzaram efervescentes e a porta rapidamente aguçou minhas fantasias... 

Tu não me ensinas nada Professor, és o senhor do meu desinteresse. Mesmo que hoje eu não quisesse tuas aulas, minha chama juvenil arrebata teu quadril, meus compassos em teus esquadros, seus embaraços entre meus laços. Sou a Imperatriz de tua agonizante matriz, corra da minha raiz, ande na contramão, componha-me uma canção, pegue a minha cartilha que está em tua mobilha, faça-me de equação, reze minha oração, esqueça os velhos terços, se envolva em meus adereços! Seja meu elo transversal, ângulo lateral, vértice histérico de meu mundo cibernético, número dionisíaco de aroma afrodisíaco, o laibirinto atuante de meu passeio agonizante... Cuidado, não se enrosque, há um lobo mal no bosque... 

Sou teu Elmo incandescente, das delícias sou o presente. Gire na providência, rompa a circunferência, brinquemos de potência nos vales da indecência... 
 
Teu olhar matemático transpira enigmático, seus sentimentos sobre meus conhecimentos. Contigo estou sempre reprovada, nunca evoluo, recuo, regresso, não presto... 

Catetos,  
conceitos,  
constantes,  
amantes,  
hipotenusas,  
blusas,  
pertences,  
docentes,  
ardentes... 


Temperatura arterial, gozo fenomenal, ato transcendente, tua discente, conjunto binário, corpos unitário... 

Exploras todo o quadro enquanto ignoras minha geometria, sondo tua obscura extasia, tua tensão precoce, teu nervosismo, minha triangulação causa-te excitação. Explica agonizado, agonizante, meu amante, teu ângulo paralelo luta comigo em duelo.  

Suas constantes correm radiantes pelo solo escolar, queres ensinar, ser o exemplar, replicar, falar, mas eu tão distante desaponto tuas teorias, vãs filosofias, meus instintos te porfia, fujo, penso porcarias, enquanto tão dedicado estais, suspiro de tantos ais...  

Preenches a lousa e eu fito as roupas, os dentes contentes, o pescoço tenso e rosado pelo calor, teu corpo pede frescor por tanto empenho e agitação, pura afobação!  

No birô ligas o monitor, arrasta a cadeira, inquieta a prateleira, sou a confusão de tua distração... 

Menino Mestre, Infante criança, tuas exigências não te levam a lugar nenhum, sempre te questionamos, surramos e amamos. Teu currículo acadêmico late enquanto ardes, encobre teu costume boêmio, não venha com bestiais equações, pois quero notas e canções, o badalo da lira para aplacar tua ira, anarquias em teu terno militar plantam flores em teu pomar, espinhos pra te torturar, ataduras pra cicatrizar.  

Ninguém quer entender, as horas querem correr, desesperadas querem findar este teu eterno falar, esse martírio de profunda sapiência é uma indecência ao meu malandro ouvido, quero apenas ver-te despido... 

Falei meu bem, direi o mal, praguejarei, mas te ouvirei apenas por te desejar, pela possibilidade do prazer de tua docente ser. Eu sim te ensinarei, ministrarei o B – A – BÁ, a conjugar o verbo amar, aplicarei minha ementa, enquanto meu corpo te tenta, usarei letra bastão, te rogo um travessão! Escreverei bem ativa em tuas curvas cursivas... 

Tua matriz será minha atriz, tua equação em poder de minhas mãos. Pobre da trigonometria, farei dela nossa euforia... Uma volta completa quero dar em tua circunferência, mil beijos de indecência, ser o compasso dos nossos amassos, a potência e o somar das noites do teu delirar...  

...Não irás descansar! 

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Crônicas Machadianas

                Estou tendo o prazer de cursar a disciplina Brasileira 3 esse semestre, e nela, estou sendo apresentada a uma parte da obra de Machado de Assis que eu não conhecia: A Crônica Machadiana! Obras essas, que pouca gente conhece e não é vergonhoso admitir. Machado com seus contos magníficos, com seus romances (românticos e realistas) indescritíveis e bastante conhecidos,  mais os realistas que os românticos, na verdade!
                Estou lendo "Helena" de Machado de Assis agora! Eu estou gostando da leitura , uma boa pedida com certeza para aprimorarmos os nossos conhecimentos literários! Não é só de Dom Casmurro e Memórias Póstumas que vivem os romances de machado!
                Mas voltemos a intenção desse post: as crônicas Machadianas! Até agora, fui apresentada a 3:  a de 19/05/1888, a de 26/06/1888 e a de 16/10/1892. Todas de caráter crítico de uma sociedade hipócrita, personificadas na figura de um ou mais personagens.
                Escolhi nesse post tratar brevemente da Crônica 19/05: Essa, assim como todas as outras trata da crítica a sociedade através do personagem que no início, diz ser bonzinho e generoso, pois libertou o seu escravo Pancrácio. Só que na verdade ao longo da crônica, percebemos que de generoso esse eu-cronista não tem nada, é um dissimulador e um falso, que aproveita-se da inocência do escravo pra anunciar e impulsionar sua carreira política, o eu-crônista quer se eleger deputado. Através desse feito (a libertção do escravo), que mais dia menos dia iria acontecer mesmo: ele fez um jantar, anunciou aos que interessava, e iludiu o Pancrâncio, que foi liberto, mas continuou escravo na fazenda por um poder de persuasão do seu senhor, e esse pobre “ex” escravo ainda o agradeceu pela “generosidade”.
 [Qualquer semelhança com a política nacional, NÃO é mera coincidência].
                Um texto ótimo para trabalhar em sala de aula, primeiro por não ser a crônica de Machado, muito conhecida. Segundo, porque apesar da crônica falar de temas do século XIX, infelizmente é um tema bem atual e fácil de ser trabalhado em sala de aula e terceiro, mas não menos importante: a beleza da estética machadiana.
                Vale a pena ler, trabalhar em sala e se conscientizar, as eleições são domingo, não deixemo-nos agir como um Pancrâcio, a literatura abre sim os olhos pra nossa realidade, principalmente quando sair das mãos de Machado de Assis.
                Eu não tenho certeza se na biblioteca tem essas crônicas, eu dei uma procurada bem rápida e não vi ;x. E também não sei se Marli disponibilizou na pasta, porque ela tirou Xerox e entregou em sala, mas Marli está sempre por ai, como seus alunos e ex alunos que com certeza ficarão muito felizes em compartilhar mais essa obra da literatura brasileira!
                Espero que tenha deixado vocês com água na boca, pra quem já conhece reler e que não conhece ser apresentado a essa maravilha! :D

Thalita Maria Lucindo Aureliano

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O CONTO BRASILEIRO DO SÉC. XXI

 Verônica Barbosa

O ensaio “O conto brasileiro do século XXI”, de Rinaldo de Fernandes, que resultou de sua experiência de professor de Literatura Brasileira, de crítico no jornal Rascunho, de Curitiba, e sobretudo de sua atividade de antologista, tem como objetivo principal comentar 28 contos e ainda distribuí-los em cinco vertentes. O ensaísta nos leva a crer que essas vertentes são fundamentais na classificação do conto brasileiro do século XXI.

Para Rinaldo de Fernandes (2010, p. 02), “há uma grande diversidade de formas no conto, que parte do minimalismo ao realismo brutal, passando pela vertente intimista, pela narrativa fragmentária ou mesmo experimental”. Portanto, o conto contemporâneo tem a função de narrar fatos típicos do homem atual, como podemos citar a violência, o infortúnio e a pobreza brasileira.

No ensaio, Rinaldo de Fernandes afirma que o conto é um gênero bastante significativo na literatura, em seguida ressalta as cinco vertentes que norteiam o conto brasileiro do século XXI:

1° - a da violência ou brutalidade no espaço público e urbano;
2º - a das relações privadas, na família ou no trabalho, em que aparecem indivíduos com valores degradados, com perversões e não raro em situações também de extrema violência, física       ou psicológica;
3º - a das narrativas fantásticas, na melhor tradição do realismo fantástico hispano-americano, às quais se podem juntar as de ficção científica e as de teor místico/macabro;
4º - a dos relatos rurais, ainda em diálogo com a tradição regionalista;
5º - a das obras metaficcionais ou de inspiração pós-moderna (FERNANDES, 2010, p. 03).

 De acordo com o ensaísta, o que une todas essas vertentes são a crueldade e a ironia que os melhores contistas da atualidade herdaram do Machado de Assis. Entretanto, é importante salientar que num único conto ou num mesmo livro o autor pode utilizar mais de uma vertente.

Após isso, Rinaldo de Fernandes aborda de forma detalhada as cinco vertentes e ainda comenta vários contos indicando seus respectivos autores. E  ressalta que “o conto contemporâneo [...] não se fixa apenas no espaço público – volta-se, de forma aguda, para relações privadas, na família ou no trabalho. Relações em que por vezes aparecem protagonistas pervertidos ou mesmo violentos” (FERNANDES, 2010, p. 06).

Por último, é importante salientar que Rinaldo de Fernandes, ao tratar das cinco vertentes do conto brasileiro do século XXI, teve a intenção principalmente de apresentar os contos mais significativos e não de selecionar os melhores contistas, o que seria uma tarefa muito difícil e precipitada em relação às produções recentes.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O sapo, a escada e a Lua no paradoxo ascensional

   Pode-se dizer que o movimento ascensional está vinculado ao sentimento de sublimação, enquanto o sentido descensional está ligado às representações de castração e morte. É por essas duas extremidades que a fantasia do poeta percorre. Observa-se que nos poetas pacíficos/serenos o movimento é ascensional e naqueles mais doentios o movimento é descensional.
   As imagens do sapo, da escada e da Lua concebem um sistema de representações com características ascensional. Essa metamorfose de símbolos está presente na poesia simbolista, correspondendo à dialética/paradoxo (por existir um movimento ao mesmo tempo ascensional e descensional que se completam) do desejo. É possível falar de uma verticalidade simbólica que tem numa ponta inferior as imagens do escuro, do pântano e na outra ponta, o brilho inatingível de uma estrela e a luminosidade fria da Lua. E, entre essas duas extremidades, existe a escada, que é um dos elementos mediador entre o alto e o baixo, e os configuradores do desejo imaginário através dos impulsos engrandecedores. Asas, voos, montanhas, árvores e torres são outros elementos utilizados pela poesia simbolista para retratar tal característica.
   A imagem do sapo se sobressai como a que restringi a experiência escura e angustiosa do simbolista. Essa imagem está relacionada com as imagens do subterrâneo do desejo, ela se insere no sistema de representações da queda e da aspiração ascensional. Falar dele é limitar as imagens do abismo em sua vocação para o escuro, o pântano e a cova. O estudo de seu significado só se completa no momento em que se configuram as imagens complementares que redimem ou esconjuram o que há de mais desprezível no sapo.
   Em “Sapo humano”, Cruz e Sousa reproduz a imagem do sapo, de corpo e alma, e conclui com a glorificação comum dessa imagem. E como exemplo de outros autores que fazem uso da estética do horror e do macabro temos: Maranhão Sobrinho (Equatorial); Euclides Bandeira; Gonzaga Duque; e Alphonsus de Guimarães (Cavaleiro Ferido). Enquanto que Maurício Jubim; João Ribeiro e Alphonsus de Guimarães fazem uso da temática da escada que aponta para o símbolo fundamental que é o elemento oposto e complementar do pântano onde o poeta se encontra, a Lua. Temos a Lua, retratada nesse sentido, em “Nostalgia do Céu” de Wenceslau Queirós. Enquanto que em “Lua”, de Cruz e Sousa, vemo-la de maneira reveladora de aspecto triste, mórbido e melancólico. No entanto não vemos a Lua como uma constante na poesia simbolista apesar de seu aspecto positivo, na maioria das vezes. Vale caracterizar a ambiguidade da Lua enquanto símbolo da fatalidade amorosa e mística.

Por Fernanda Miranda Vieira

terça-feira, 15 de junho de 2010

Missa do Galo: Um outro enfoque (Moacyr Scliar)

Sob a narrativa da personagem Conceição, este conto, como o próprio nome sugeri é outro enfoque do conto Missa do galo de Machado de Assis. O conto de Moacyr Scliar é construído sobre as bases dos mesmos personagens e situações do conto de Machado de Assis, diferenciado pela visão e exposição das idéias, acontecimentos e emoções da personagem Conceição (trinta anos). Durante todo o conto ela expressa suas atitudes e sentimentos que envolveram um diálogo que tivera com o jovem Nogueira (dezessete anos), que estava hospedado em sua casa, tendo em vista que o marido de Conceição, Meneses, fora casado com uma das primas do jovem.
Era noite de natal e Conceição expõe que naquela mesma noite acontecera algo que mudara sua vida. Bela, sedutora, inteligente e ao mesmo tempo, delicada e envolvente, Conceição inicia uma conversa com Nogueira, este resolveu não dormir, pois esperava pela missa do galo à meia-noite, tendo já combinado com o vizinho de ir acordá-lo quando a hora fosse chegada. A conversação entre os dois é rodeada de seduções, emoções e sentimentos inesperados de ambas as partes.
O jovem fora embora no ano novo para a cidade de Mangaratiba. A figura dele se interpõe na mente de Conceição a cada ano, sua ausência a faz por vezes, “derramar algumas sentidas lágrimas”.

Manuelly de Carvalho Silva

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Genialidade e morte prematura

Estamos às vésperas do aniversário da morte de Álvares de Azevedo, o maior representante do ultra-romantismo brasileiro e no ano do centenário de Noel de Medeiros Rosa, indiscutivelmente o maior sambista brasileiro de todos os tempos. Ambos destoaram em suas respectivas épocas (séculos XIX e XX) pelo talento precoce e pelo alto nível de suas produções em relação aos seus contemporâneos, tendo suas obras alcançado o devido reconhecimento apenas postumamente.

Maneco, como era conhecido Álvares de Azevedo, foi um caso à parte no Romantismo brasileiro. Enquanto o espírito nacionalista vigorava e imperava nos escritos dos outros poetas e prosadores que se empenhavam em legitimar a literatura brasileira, a sua atitude era de negação desses valores, estabelecendo um paradoxo que teve de sustentar praticamente sozinho. Vale salientar que sempre foi um aluno brilhante e desde cedo manifestava interesse pelos cânones europeus e universais, de onde certamente lhes serviu de inspiração para a construção de suas personagens e da sua poética. Obcecado pelo seu drama íntimo - comum ao adolescente- vê-se uma personalidade literária dilacerada e ambígua marcada pelo confronto dos extremos ou binomia, retratada na Lira dos Vinte Anos e no Macário. Além do lado onírico, sentimental e idealizador presentes nas partes 1ª e 3ª da Lira e no personagem Penseroso de Macário, há a outra faceta marcada pela ironia, pelo ceticismo e pelo satanismo do próprio Macário e dos seus poemas satíricos. Censurava realisticamente a artificialidade de um nacionalismo "importado" e foi o "primeiro e único antes do Modernismo a dar categoria literária ao prosaico, à roupa suja, ao cachimbo sarrento" como afirmaria Antônio Cândido. Dentre os românticos, foi o que mais produziu (apesar do pouco tempo de vida) e o que penetrou mais profundamente no espírito romântico.

Assim também fora Noel Rosa, jovem gênio da MPB, grande homenageado deste ano no enredo de carnaval da Vila Isabel. Enquanto São Paulo de Oswald e Mário fazia aquele Modernismo agressivo com vistas no progresso industrial, futurista e com nítida influência das vanguardas européias, o Rio fazia o seu Modernismo única e exclusivamente através de Noel Rosa. Sem qualquer influência estrangeira, Noel acreditava que a poesia estava na simplicidade do cotidiano: seus versos brotavam do botequim, da mulata, do jornaleiro, do garçom, das disputas poéticas com Wilson Batista e das memoráveis parcerias ( Cartola, Ismael Silva, Francisco Alves, entre outros). Sua vasta obra contém canções belíssimas que unem forma e conteúdo, seja nas sátiras carnavalizadas, seja no lirismo plangente atribuído aos seus amores, seja nas canções em que penetra no eu-lírico feminino lamentando a ausência do amado, característica essa que foi buscar nas cantigas de amigo da Idade Média e que tantos outros o fariam depois, a exemplo de Chico e Caetano. Foram mais de 300 músicas compostas num curto período de 7 anos.

Além do enorme talento e grandeza poética comum aos dois, outra (triste) circunstância os une: a turbeculose e a consequente morte prematura. Noel morreu aos 26 anos; Álvares de Azevedo, aos 20. Fico a imaginar o quanto a nossa cultura se enriqueceria caso ambos tivessem a oportunidade de viver e produzir mais...


Renan Silva

domingo, 2 de agosto de 2009

Drummond e o carnaval

Raíra Maia

Aliando tradição e modernidade, Carlos Drummond de Andrade é considerado um dos maiores nomes da poesia nacional, sendo possível apontá-lo como responsável por grandes inovações na literatura brasileira do século XX. O poeta mineiro, que "bebeu nas águas" dos Modernistas de 22, deixou-nos uma obra que oscila entre inquietudes poéticas, a partir de sua preocupação estética, consciência de linguagem e abordagens de cunho social, reconhecido, assim, também como uma poeta "engagée".

Em seus primeiros livros, convergências entre o Movimento Modernista e Drummond podem ser apresentadas tendo em vista o tratamento anticonvencional, exercido pelo poeta, apesar de temáticas que, de certa forma, já estavam "consolidadas" pela tradição, como sentimentalidades e a espiritualidade do mundo.

O poema "Um homem e seu carnaval", presente no livro "Brejo das almas", retrata o trabalho com a palavra poética, através de técnicas "modernas" de composição e abodagem dos confllitos entre o indivíduo (o "eu") e o mundo.

"Um homem e seu carnaval" é composto por versos sem rimas e sem métrica fixas, contudo a presença de enjambement proporciona as continuações e linearidades sintático-semânticas do poema. Na primeira estrofe, composta por nove versos, podemos perceber do verso 5 ao 8 a aliteração da consoante "s"; já na segunda estrofe, composta por dez versos, há predomínio das consoantes oclusivas "p", "b" e "t" nos versos 1 ao 3.

Por tratar-se de um poema fanopáico, isto é, em que existe a preponderância das imagens ao longo do texto, podemos afirmar que a construçao poética relaciona-se diretamente com tais imagens e com a própria temática exposta. Sendo assim, apontamos que a aliteração da consoante "s", na primeira estrofe, sugere uma isomorfia, uma vez que a sonoridade deste fonema remete-nos ao contexto em que a voz poética está inserida, espaço este caracterizado pela folia do carnaval: barulho, multidão, danças... Da mesma forma ocorre na estrofe seguinte, quando o eu lírico diz: "O pandeiro bate/ é dentro do peito/ mas niguém percebe" as consoantes aqui em destaque proporcionam a visão e a sonoridade dos batuques e das agitações do carnaval.

A terceira estrofe inicia-se com a mesma expressão que abre o poema "Deus me abandonou no meio..." contudo, nesta última estrofe, há uma "transfiguração" dos espaços e das personagens na continuidade do texto: os elementos do carnaval - representados, inicialmente, pelas figuras da baiana e da egípcia - são substituídos por matérias depreciativas, como "peixes sulfúreos" e "ondas de éter", revelando-nos uma suposta inquietação, ou inadequação do eu lírico àquele ambiente. Para reforçar esse sentimento de não correspondência à situação, sublinhamos que um dos aspectos drummondianos mais conhecidos é esta oposição do eu com o mundo.

Esse sentimento de o eu lírico estar "sem olhos, sem boca, sem dimensões" diante de uma determinada circunstância foi analisado por A. Candido como uma ideia que se abrange e evolui para um desentendimento geral do sujeito em relação ao outro: "Esta ideia vai aumentando até que do mundo avesso (do obstáculo e do desentendimento) surja a ideia social do 'mundo caduco', feito de instituições superadas que geram o desajuste e a iniquidade" Ou seja, em um situação incomunicável, de afogamento no rio entre peixes sulfúreos.

Assinalamos que existem certas marcas no poema, em uma espécie de mistura entre os sentimentos do sujeito e os do carnaval, que retratam a realidade da carnavalização e todos os seus paradoxos. O eu lírico ao declarar "Estou perdido"; "o pandeiro bate/ é dentro do peito"; " Eternas namoradas/ riem para mim" "Impossível perdoá-las/sequer esquecê-las"; "grandes braços, largos espaços/eternamente" traduz o mundo carnavalesco - discutido por Bakhtin - em que nos deparamos com situações de troca/anulação de identidades, conflitos sociais e a voz do outro que pode ser ouvida nesse contexto de um cotidiano de "ponta-cabeça".

Desta forma, o sujeito situado numa festa de carnaval, apesar de sua suposta inadequação (chamamos atenção para a possibilidade de tal sujeito ser a representação do poeta, tendo em vista a figura consolidada de isolamento e solidão e também pela referência ao detrimento da poesia na sociedade "Pobre poesia"), adquire as contradições da festa e reflete tais esperiências de gozo e desordem na estrutura do poema, como podemos demonstrar nos últimos versos: "curvas curvas curvas/ bandeiras de prétitos/ pneus silenciosos/ grandes braços largos espaços/eternamente", que retratam todo o movimento de pessoas, a fuga do cotidiano e o jogo de prazer e de exaltação do eu lírico que penetram nas entrelinhas do poema.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Literatura Brasileira II - atualizações

Já está disponível o programa da disciplina para download. Para baixar clique aqui. O programa está disponível também na seção 4 (Literatura Brasileira II).

Eddie Wallas, monitor de Literatura Brasileira II
lebab@bol.com.br

Literatura Portuguesa II - atualizações

Olá,

A seção 10, de Literatura Portuguesa II, foi atualizada. Seguem as atualizações:

Para acessar é só clicar no link disponível e entrar. Os textos básicos da disciplina estão na pasta Literatura Portuguesa I e II. Clique no texto desejado e faça o download. Os textos estão disponíveis também na Xerox do CA de Filosofia.

O disco também contém obras da literatura brasileira de domínio público. Em casos de dúvidas ou links quebrados, entre em contato comigo.

Miquéias Vitorino, monitoria de Literatura Portuguesa II

miqueiasvitorino@gmail.com