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domingo, 5 de junho de 2011

Prometeu, o deus de todas as artes

                                                                                                               Por Prisciane Pinto


Logo no primeiro período do curso de Clássicas tive a grata satisfação de estudar sobre o mito de Prometeu na disciplina de Introdução aos Estudos Literários Greco-Latinos com o professor Milton Marques. Eu confesso que adorei, então resolvi fazer uma breve síntese do que se trata para alegrar os ânimos dos apaixonados pelo mito e despertar interesse naqueles que não o conhecem.

Prometeu é definido por Hesíodo como o deus benfeitor da humanidade. Ele foi fruto da união do Titã Jápeto com a Oceanina Clímene sendo assim parente de Zeus. Possuía três irmãos: Menécio, Epimeteu, o inábil, desastrado por excelência, e Atlas os quais foram castigados de forma grave por ter participação direta contra Zeus na batalha dos titãs, conhecida como a Titanomaquia. Nessa acirrada disputa, Prometeu aliou-se a Zeus visto que ele é o pró manthánein (o que vê antes) por isso ele já previa o destino do trono e a conseqüência da tomada dele, que seria o estabelecimento da ordem.

Ao filho de Jápeto foi dado o trabalho da criação dos efêmeros, assim ele os criou, do barro os fez e a Zeus coube entregar-lhes o fogo, sempre que fosse do seu bom grado. Porém, impelido pelo desejo de enganar o Pai dos deuses e também dos homens, Prometeu o persuadiu com um falso sacrifício, isto é, usou as banhas do boi para cobrir os ossos ao invés de cobrir as vísceras e deu ao filho de Crono, fato que suscitou a ira do Cronida. Posteriormente, numa oca férula, o Titã furtou o fogo dos deuses e o entregou aos homens, cometendo a transgressão (hýbris) que o levou a duras peias adamantinas nos montes da Cítia, segundo Ésquilo.

O fogo é a representação da excelência do conhecimento, ou seja, aos homens foi dada toda a técnica e isto os fez conhecedores e mestres pois “todas as artes aos mortais vem de Prometeu”(Prometeu prisioneiro, v.506) , não sendo mais subordinados aos deuses, dando início a partir desta à civilização.

Prometeu dá ao homem a liberdade através do ensino de todas as artes mas não sabe como se libertar a si mesmo e isso é posto em questão na tragédia de Ésquilo através do trocadilho feito pelo Poder ao se dirigir a Prometeu com ironia:

“Falso nome os Numes te dão de Prometeu
                                               pois precisas tu mesmo de um Prometeu
                                               com jeito que te desenrole deste ardil”
                                                                              
                                                                (ÉSQUILO,Prometeu prisioneiro v.85 a 87)

 Prometeu sabia o resultado do seu descomedimento e fora a sua desventura que caracterizou a tragédia da civilização pois, mesmo prevendo a sua punição e a sua impotência diante dela, não hesitou de doar aos efêmeros a essência do conhecimento.

sábado, 28 de maio de 2011

Sobre Letras Clássicas - UFPB

Por Késia Mota
O professor Milton participou de um encontro de professores de latim, há alguns dias, em Campinas - SP, e trouxe notícias muito boas. Acho interessante comentar. Sei que não é minha hora de postar aqui, mas eu sinto que tenho que fazer isso agora.

O curso de Letras Clássicas da UFPB chamou a atenção, naquele encontro, porque parece ser o único do Brasil que forma os acadêmicos para o grego e para o latim, simultaneamente. Além disso, utiliza o método dos professores Juvino Alves Maia Junior e Henrique Murachco, talvez o mais revolucionário de todos. Mesmo na USP, o estudante de latim ou de grego (pois lá o aluno tem que optar por uma das duas línguas) leva uns três anos para começar a lidar com os textos originais. Aqui na UFPB, somos instruídos por um método tão eficiente que já no final do primeiro período (em menos de 4 meses, portanto), conseguimos fazer as primeiras traduções.

Eu sou monitora de grego desde o ano passado. Estudei Latim I, II e III e Grego I e II. Repeti a cadeira de Grego I no ano passado e estou repetindo agora novamente, pois assisto a todas as aulas, na condição de monitora. Comecei com o Latim I, em 2009.1. Fiz Grego I em 2009.2, Latim II e Grego II em 2010.1, Latim III e Grego I novamente (monitoria) em 2010.2, e agora Grego I mais uma vez (monitoria). Além disso, acompanho as aulas da pós, com o Juvino, sobre o Timeu, de Platão (uma leitura dos originais, em grego, em comparação com a tradução de Cícero para o latim). Estudamos o grego e o latim, simultaneamente, numa mesma cadeira.

O grego de Platão foi muito difícil, para mim, no início, mas estou contente com o meu  avanço, sinceramente. O latim de Cícero tem sido uma leitura tranquila.

Sinto-me privilegiada e honrada por estar na condição de discípula do Professor Juvino (e, indiretamente, do Professor Henrique Murachco), aprendendo muito sobre a minha própria língua materna, inclusive, ao aprender o grego e o latim de forma tão eficiente e tranquila. Estudo desde 2009, apenas, menos de dois anos, portanto.

Eu tenho um grande prazer em fazer uso do método do professor Juvino para ensinar a outros. Sim, com menos de 2 anos de estudo do latim, já tenho um aluno, um estudante do mestrado em Filosofia que vai estudar Descartes no doutorado e precisa estudar os textos originais, em latim. Ensino pelo mesmo método que aprendi e em poucos meses o meu aluno conseguirá traduzir Descartes. Também ensino grego a um mestrando de Filosofia Antiga, que precisa estudar os textos de Platão. Só quem conhece o método pode entender esta situação.

Infelizmente, nem todos conseguem aceitar o sucesso de um método de ensino inovador. Há quem duvide veementemente e até mesmo professores declarando em sala de aula que ninguém consegue traduzir do grego ou do latim em menos de 30 anos. Seria bom que esses críticos ferrenhos assistissem a uma aula de Latim ou de Grego I para fazer um juízo de valor com alguma fundamentação prática e objetiva.

Acho uma lástima que alguns professores tenham tanto prazer em falar mal dos colegas em sala de aula. Como aluna, fico muito desconfortável com isso. Mas fiquei especialmente incomodada em ouvir alguém falar tão mal de algo tão nobre e belo. O curso de Letras Clássicas da UFPB é um tesouro. Conheçam, por favor, antes de criticar.

Eu sou da habilitação em Língua Portuguesa. As aulas de latim e de grego são o maior presente que eu recebi desta universidade. Claro que isso não desmerece as outras áreas, deixo isso claro. Mas sou muito feliz por ter escolhido a área de clássicas. Creio que tenho trabalhado bem e estou absolutamente certa de ser muito bem conduzida pelos meus queridos professores, especialmente o nosso mestre Juvino.

Abraços a todos e obrigada.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Os deuses lares

  Por Líssia Medeiros

 Na Grécia a crença nos deuses olímpicos era o ponto principal da sua religião, acreditavam que existiam doze deuses imortais que moravam no Olimpo, lugar que se encontrava acima das nuvens. A esses deuses eram atribuídas as forças da natureza e todas as coisas que aconteciam no mundo humano eram consequências das vontades desses deuses, fossem elas boas ou ruins. A partir do surgimento da polis, já no período arcaico, outros deuses passaram a ser cultuados – os deuses lares. Esse período trouxe muitas modificações sociais para os gregos. Os deuses lares passaram a ser cultuados nas casas das famílias, eram figurados através do “fogo sagrado” e colocados sobre um altar. Geralmente os altares ficavam em lugares escondidos para que não fossem vistos pelas pessoas que não moravam naquela casa. Os deuses lares eram os ancestrais daquela família, por isso todos os dias eram oferecidas orações no começo e no fim das refeições para que esses deuses pudessem proteger aquele lar e aquela família. O fogo sagrado era conservado pelo dono da casa, que, deveria todos os dias, pela manhã, jogar ramos secos para alimentar o fogo e ao final do dia jogar brasas e cinzas para que não apagasse durante a noite. Caso o fogo se extinguisse significava dizer que os deuses não mais protegiam aquele lar e em consequência cairia em desgraça. O fogo só deixava de existir quando toda a família morria, significava dizer que o fogo extinto era o lar extinto.
Resolvi escrever o texto porque percebi que os deuses lares são pouco referidos, pelo menos, não tão quanto os deuses olímpicos. Acho interessante conhecer as crenças daquele período grego e latino e tive a ideia de compartilhar.

Referência:

COULANGES, Numa Fustel de. A cidade antiga. Tradução de Fernando de Aguiar. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
Link para baixar o livro:
http://www.4shared.com/document/LeaQRWmh/A_Cidade_Antiga_-_Fustel_De_Co.htm

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Écloga, Epodo e Metamorfose: comparações sintático-semânticas entre Virgílio, Horácio e Ovídio

 Por Késia Viviane da Mota
Orientador: Prof. Dr. Juvino Alves Maia Junior

RESUMO: Este artigo é resultado dos estudos relacionados à disciplina Língua Latina II, no período letivo de 2010.1. O seu objetivo é apresentar informações sobre a lírica dos autores clássicos latinos a partir de uma comparação entre as suas obras. O corpus selecionado para a análise é constituído de três poemas: a Écloga (ou Bucólica) IV, de Virgílio, o Epodon XVI, de Horácio, e os versos 89 a 150 do Livro I das Metamorfoses, de Ovídio, todos estudados sob a orientação do Prof. Dr. Juvino Alves Maia Junior. A tradução instrumental de cada texto foi realizada, mas não apresentada na íntegra. Eventualmente, apenas os seguintes fragmentos, necessários para a compreensão dos comentários, foram citados: versos 34 a 36 da Écloga IV de Virgílio; versos 57 a 60 do Epodo XVI de Horácio; e versos 132 a 134 do livro I das Metamorfoses de Ovídio. Algumas semelhanças e diferenças entre os três autores são o objeto da análise. A intensão é apresentar uma noção da riqueza estilística dos textos tomados como corpus para motivar o leitor ao conhecimento destas e de outras obras da literatura clássica, como também ao aprendizado da língua latina, no propósito de adquirir habilidade para o contato direto com os originais.
PALAVRAS-CHAVE: latim, lírica, Virgílio, Horácio, Ovídio.

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Este é o resumo do trabalho publicado pela monitora no IX CCHLA: Conhecimento em Debate (Humanidades hoje), em outubro de 2010. Para ler o artigo completo, clique aqui.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Dido: a mulher forte




Como alguns sabem, eu trabalharei em meu artigo com a personagem Dido, rainha de Cartago. Então tive a ideia de escrever sobre ela.  Quando leio algum livro com alguma personagem feminina forte, quase sempre ela me vem à memória. Seria Dido “mãe” dessa linhagem de (poucas?) mulheres fortes na literatura? Não falo das super heroínas, falo das mulheres que de certa maneira foram fortes e agiram, de alguma forma, à frente de seu tempo e a favor de seu orgulho.
Na cultura clássica, não era muito comum ver uma mulher como líder político. No livro 4 da Eneida, Dido não é só isso. Excepcionalmente e somente neste livro, ela assume um papel muito importante: o central. Embora seja Enéias o protagonista da epopeia Vergiliana, é a paixão de Dido pelo herói troiano que perdura o livro quarto.
                A rainha de Cartago mostra-se uma exceção dentre as mulheres do mundo clássico. Ela não se anula, não se cala.  Ameaçada pela cobiça de seu irmão, que já havia vitimado seu marido, fora capaz de sair de Tiro levando consigo e com seus “partidários” os tesouros do marido e fundar uma nova cidade: Cartago. O território desta cidade, conta o mito, foi conseguido através de couros de boi e, principalmente, da inteligência da rainha.
                Dido, mesmo forte e guerreira, é a nós apresentada (no livro 1) como uma mulher de beleza descomunal. Uma mulher de caráter, fiel ainda aos votos que fez ao seu marido já morto e que a primeiro momento parece estar resistente à excelência do herói.  Ela cumpre seu destino de forma muito singular. A partir do momento que cede a paixão (ou seria ao feitiço?) outrora semeada por cupido, ela vive intensamente esse amor, tanto que deixa seu posto de mulher poderosa, de rainha, de chefe de uma “nação”, para jogar-se aos prazeres que antecederam sua desgraça e quando não era mais possível ficar com Eneias, quando este simplesmente não a ouve mais e vai embora, seu orgulho e honra não a deixam tomar decisão menos digna: era preferível matar-se a continuar viva vendo que havia perdido a soberania, o poder e o respeito de seu povo. Ela se apunhala e sobre a pira de fogo é consumida.
Antes de qualquer coisa, Dido age segundo a sua honra, age com dignidade. Ela soube reconhecer quando não havia mais saída e soube tomar a atitude, talvez não mais racional, mas com certeza a mais sensata e honrosa.
 Algumas vezes até penso que toda mulher deveria ser uma Dido: forte, bela, guerreira, honrada e sensata. Esta, é claro, é uma leitura pessoal da personagem. Espero que os que ainda não a conhecem, sintam-se tentados a conhecê-la.
                                             
   Por Danniele Silva
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*Postagem de acordo com a reforma ortográfica.

sábado, 7 de agosto de 2010

Inspirai-me, Palas Athena!

Por Késia Mota


Olá, queridos! Finalmente, depois de ter cursado Grego I e Grego II (além de Latim I e Latim II), tornei-me monitora de grego! Estou muito feliz e ciente da minha enorme responsabilidade. Estudar grego é um desafio que aumenta a cada dia. Cada novo aprendizado torna a língua mais instigante e o conhecimento de cada texto clássico motiva o interesse por outros mais. É maravilhoso! Difícil e trabalhoso, mas absolutamente fantástico!

Hoje (sábado, dia 07/08) tivemos a primeira aula de Grego I do período 2010.2, com o professor Hermes Vieira. Sei que é uma aula um pouco assustadora, para os iniciantes (disse só "um pouco", tá? rs). A primeira aula de grego (e a de latim, igualmente) costuma ser assim mesmo. Mas as informações obtidas na aula vão sendo colocadas em prática através dos exercícios propostos e o entendimento das peculiaridades da língua ocorre tranquilamente se todos os exercícios forem feitos com atenção e boa dedicação. Tenho só uma dica aos meus colegas que estão iniciando nestas disciplinas: peguem uma gramática de língua portuguesa e estudem (revisem) análise sintática (sintaxe). Vai ajudar bastante.

Costumo brincar com os meus amigos, quando exalto o privilégio que temos de aprender grego e latim através de um método eficaz e competente, trazido à UFPB pelos professores Henrique Murachco e Juvino Maia, dizendo com alegria: "E é de graça!" rsrs

Realmente, o aprendizado é um enorme privilégio. Ter excelentes professores é para mim uma honra. Sou muito grata aos professores do Ambiente 4 por proporcionarem essa alegria em mim: o privilégio de adquirir conhecimento em assuntos tão elevados e importantes. Menciono os professores do Ambiente 4, especificamente, porque estou falando de grego e latim, cujo método de ensino está sob a responsabilidade destes professores. Mas não é só por isso, tenho que confessar.

Estou certa de que não existe divergência entre os alunos do curso de Letras, em relação aos professores do Ambiente 4, pelo menos num aspecto: quanto à competência (eficiência) e responsabilidade desses professores. São pontuais, assíduos, honestos, ensinam sobre o que conhecem (= não enrolam), desafiadores (e também dispostos a ser desafiados), disponíveis a ensinar e orientar os alunos que procuram aprender algo além do que está no programa do curso etc. [Nos comentários, podem mencionar outras características desses professores, se quiserem].

Estou fazendo essa "exaltação" aos professores do Ambiente 4, mas não quero que, com isso, alguém entenda que eu estou afirmando que somente eles são os bons professores do DLCV (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da UFPB). Não é nada disso. Digo "os professores do Ambiente 4" porque realmente todos eles são bons professores. Há vários outros excelentes professores, tanto na área de Linguística quanto de Letras (Literatura). Professores responsáveis, competentes, sérios, como a Leonor (nossa coordenadora da monitoria), o Cirineu, o Márcio Leitão, a Maria Ester, a Ana Marinho, o Amador e tantos outros [se quiserem, aumentem esta lista, logicamente não exaustiva, nos comentários].

Talvez alguém esteja pensando, ao ler esta postagem: "A Késia veio ao blog da monitoria só para bajular os professores, só porque se tornou monitora de grego... blá blá blá". Mas já vou logo me defendendo. (risos). Como estudante de licenciatura, especialmente como monitora, creio ser importante fazer uma observação prática quanto ao que representa esse ofício, o de ensinar. Mais do que conhecer as teorias de didática e pedagogia, sou pela observação, pela ideia de seguir os bons exemplos e métodos adotados pelos nossos mestres. Nas universidades federais, temos contato com o que há de melhor entre os professores. É o melhor do melhor, em educação superior. Isso é um elogio, "melhor do melhor"? NÃO. É uma forma de ressaltar a responsabilidade que há no exercício do magistério superior. Ser professor é uma tarefa formidável! (Por favor, consulte o dicionário e reflita no que significa algo formidável).

Temos também alguns professores (poucos, felizmente, mas temos, infelizmente), que ensinam ao contrário: a gente aprende o que não fazer. Gostaria muito que esses professores fizessem uma reflexão quanto ao que significa ser professor de uma universidade federal. Mais do que isso, quero eu fazer uma reflexão, diante dessas pessoas: a de me posicionar contra. Estudar, trabalhar, me esforçar e procurar fazer diferente. Ser uma professora que segue o exemplo dos melhores, dos excelentes. Nunca me acomodar, nunca ter preguiça, nunca ser banal, mas aproveitar e beber da fonte do saber com competência e responsabilidade.

Estou sempre brincando com os meus amigos sobre ser devota de Palas Athena (Παλλάς Ἀθήνα)*. Quero com isso dizer que amo o saber, o conhecimento. Nada é mais compensador e mais seguro que adquirir o saber.


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* Palas Athena é deusa da sabedoria na mitologia grega, uma das 12 divindades do Olimpo. Possui outros atributos, como ser deusa guerreira conhecedora das melhores estratégias de guerra.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

As musas e a literatura


Não é mera coincidência que a palavra música tenha origem nas Musas. Elas representavam as expressões artísticas como um todo. Cada Musa presidia (ou preside) um aspecto da arte. São elas: Clio (Musa da história), Érato (Musa da poesia lírica), Tália (Musa da comédia), Melpômene (Musa da tragédia), Terpsícore (Musa da dança), Euterpe (Musa do verso erótico), Polimnia (Musa dos hinos sagrados e da narração), Urânia (Musa da astronomia) e Calíope (A primeira das Musas).
Na literatura, as musas eram figuras bastante recorrentes, sendo atribuidas à elas a criação das obras e cabendo ao aedo/poeta apenas a função de porta-voz destas divindades.
Originalmente, os poemas épicos foram criados e apresentados através do gênero oral, ou seja, eram transmitidos pelos aedos, que entoavam os versos com o auxílio de um instrumento musical (geralmente a lira).
Conforme a escrita foi introduzida, a maneira como os versos eram cantados foi gradativamente se perdendo e a importância das musas, diminuindo.
Mas o seu valor não se perdeu por completo. O valor que suas figuras representavam permaneceram através das obras, contribuindo para a perpetuação através das gerações - seja através do aedo ou do autor que produziu tais obras.
É de extrema importância que aquele que estuda esse tipo de literatura, saiba reconhecer esse valor caracterizado pelas musas.

Monitor: Túlio Carvalho.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Não tenha medo do latim

Na UFPB, a língua latina é disciplina obrigatória no curso de Letras - habilitação em vernáculas e em clássicas. Já os colegas de línguas estrangeiras modernas não têm o mesmo privilégio. Que pena!

Tenho observado que muitos colegas do curso de Letras têm tido grandes dificuldades com o latim. Muitos (normalmente a metade de cada turma) trancam a disciplina logo depois da segunda prova, se ainda estiver dentro do prazo previsto para o trancamento. Excelentes alunos, inclusive.

A que se deve essa dificuldade toda? Como estudantes, o que devemos fazer para resolver o problema, seja ele qual for? Devemos refletir. Estudar latim é importante para quem pretende ser estudioso da língua portuguesa ou qualquer outra língua neolatina.

No DLCV (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da UFPB), temos uma excelente equipe de professores de latim, os professores do respeitado “Ambiente 4” (sala dos professores nº 4 do CCHLA – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes). Sinto-me feliz com isso. Os conhecimentos que podemos obter sob orientação deles são relevantes demais e é possível sentir o reflexo disso em outras áreas do conhecimento, na prática.

Não se deve ter medo do latim, não se deve ter medo dos professores do Ambiente 4. Eles são parte do que temos de melhor no curso de Letras da UFPB. São dedicados, são desafiadores e levam os seus alunos a avançar de forma excelente. Como aluna, é o que eu mais gosto de sentir em meus professores: o desafio. Nada melhor do que isso para crescer com qualidade e avançar.

A responsabilidade é grande, para nós. E isso deve ser instigante, motivador e não um motivo para ter medo ou desistir. Não tenha medo do latim. Se o problema for o pouco conhecimento sobre análise sintática, fundamental para entender os casos do latim, vá a uma boa gramática de língua portuguesa e aprenda. Se o problema for o trabalho durante o dia inteiro, para os alunos do noturno, principalmente, aproveite os horários de almoço, os finais de semana, tente reservar mais ou menos uma hora por dia para estudar – isso funciona muito bem. Sinceramente? Novela, cinema, parques de diversões, essas coisas boas da vida, infelizmente, devem ficar para depois. Quando chegar em casa, não vá à televisão, vá ao latim. Vou contar uma coisa: vale muito a pena! Eu tenho tido que esquecer os meus queridos filmes clássicos, mas compensarei tudo nas férias. É assim que funciona.

Perder uma aula de latim? Jamais! Não se deve perder nem um minuto da aula, não se deve chegar atrasado nem sair mais cedo. Cada pequeno detalhe transmitido pelo professor em sala de aula é de grande valor. Não perca aula nem fração de aula e tudo vai ser bem melhor. Mas se for preciso faltar ou se atrasar, não deixe o tempo passar, procure imediatamente ajuda de colegas, das monitoras, dos professores, e tudo irá bem. Nunca acumule tudo para as vésperas das provas, pois fica muito difícil recuperar o tempo perdido.

Não tenha medo do latim, tenha medo de não se dedicar, não se esforçar, não fazer o que você é capaz de fazer: aprender latim e obter notas altas na disciplina. Se houver interesse nisso e verdadeiro esforço, fica tudo muito fácil. Fácil mesmo, pode acreditar em mim.

Aprender latim é dar um salto grande! Aproveite a oportunidade que temos. Ela passa. Quando passar, não vai voltar atrás. Não tenha medo do latim, tenha medo de perder essa oportunidade de aprender.

Χαλεπὰ τὰ καλά (kalepá tá kalá = “As coisas belas são difíceis”, em grego clássico). Eu diria mais: tudo o que é mais difícil é também muito mais gostoso.
Um abraço a todos.
Késia Mota

domingo, 2 de maio de 2010

Sinopse da tragédia grega Alceste de Eurípides

Apesar do surgimento de novas verdades filosóficas, conflitantes com a realidade mítica do mundo clássico, que compreende do século VIII ao V a.C., Eurípides não aboliu o caráter religioso de sua obra.

Alceste, encenada em 438 a.C., é das dezessete tragédias euripidianas a mais antiga.

A narrativa inicia-se pouco antes de Alceste morrer, quando Apolo e Tânatos discutem acerca do que está por vir.

A rainha e o rei de Feres se despedem dolorosamente, e todos no palácio lamentam o fim trágico que acometerá Alceste, estimada pelo seu caráter benévolo. Contudo, o destino permanece imutável, e ela morre.

No funeral celebrado por Admeto, o pai do rei aparece e traz consigo um ornamento mortuário para a nora que jaz morta, com isso desencadeia uma discussão entre pai e filho.

Neste momento, Hércules chega ao reino de Feres e, desconhecedor do que está ocorrendo no palácio, pede hospedagem. Admeto aquiesce à lei sagrada da hospitalidade e permite a estada do herói no recinto, porém omite a morte da rainha, dizendo tratar-se de uma simples estrangeira. Hércules se banqueteia, e se embriaga com vinho, fazendo isso por ignorar o luto que circunda o local real. Entretanto, devido à indiscrição de um serviçal, toma consciência da verdade, e decide agir de alguma forma para reverter aquela situação de sofrimento.

Junto ao túmulo onde Alceste é enterrada, o filho de Alcmena surpreende a morte, que vem buscar as honras fúnebres, e a obriga a soltar Alceste, trazendo-a de volta à vida, e levando-a coberta com um véu ao palácio de Admeto. Com a desculpa de que havia ganhado a jovem em um prêmio, Hércules convence o rei de Feres a hospedá-la e, após a resposta afirmativa do rei, Alceste retira o véu que cobre seu rosto, e Admeto descobre que aquela mulher é sua esposa.



Yasmim Alcântara