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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Blog: Um destino para os textos redigidos na escola.


Quero me aproveitar deste espaço para divulgar para vocês uma estratégia de ensino apontada em uma sessão do livro Didático Textos e Linguagens de Márcia de Benedetto do 7° ano chamada “A palavra é sua”. Nessa sessão a autora sugere ao professor que crie um blog para expor os textos trabalhados na unidade, concluindo que dando um objetivo ao aluno, ele procurará caprichar mais em seus textos já que, nesse caso, não será mais o professor que avaliará seus textos, mas o mundo todo.

Marcos Bagno em seu livro Pesquisa na escola também ressaltou essa questão do objetivo, ressaltando que quando os alunos estão bem orientados pelo professor que os direciona argumentando que há um propósito e um destino para a produção textual solicitada os alunos se instigam mais para produzir. Outro veículo que também traz essa questão do direcionamento é a Revista Nova Escola (Jan/fev 2009 – p.38), no artigo de Thais Gurgel a autora enfatiza que para produzir textos de qualidade, os alunos têm de saber o quê, para quê, para quem escrevem e qual o gênero que melhor exprime suas ideias. Segundo Roxane Rojo, da Universidade Estadual de Campinas, envolver estudantes de 6° a 9º ano na produção textual é um grande desafio por isso destaca:

“Para que alguém se coloque na posição de escritor, é preciso que sua produção tenha circulação garantida e leitores de verdade.”

Impregnada “até a alma” com essas teorias resolvi por em prática a idéia do blog para incentivar as produções textuais dos alunos do 9° ano, conversei com a professora que gostou muito da idéia (que não foi minha) não mais que os alunos que adoraram o fato de passarem a ser vistos não mais como aluno fulano, mas como autor fulano. E a primeira atividade que solicitamos para eles foi a elaboração de uma minibiografia deles para expor no perfil do blog ao lado de suas fotos. Como sempre há um desafio, nesta turma de 15 alunos, apenas 10 se empolgaram, sugeriram cor, fizeram votação do nome que ao fim ficou decidido como “Os Melhores do A.B.M”, disponibilizaram a foto etc. E todos já estavam cientes do critério para ter o texto exposto no blog, ele tinha que ser o melhor de acordo com a opinião do professor e da turma.

Só justificando, nosso trabalho e dedicação com a produção de textos foi apenas durante os meses de julho e agosto, pois depois passamos a trabalhar mais com leitura e análise das leituras, já que a Prova Brasil, princípio básico para eu estar estagiando nessa escola, se realizará em novembro do presente ano.


Enfim gente, espero que vocês aprovem e se não for pedir demais aos que estão lecionando adotem essa estratégia, pois fundamentação teórica tem, relatos de experiências positivas têm também, só falta a disposição para ser posta em prática.


Link do blog "OS MELHORES DO A.B.M":http://osmelhoresdoabn.blogspot.com/


Por Natália P. J. Santos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Um gênero dentro do outro: Uma novidade em sala de Aula que estimula o aprendizado.


Ultimamente a preocupação em divulgar os gêneros textuais em sala de aula tem dado espaço para diversos congressos, estudos, teorias, críticas, etc. Porém, apesar de todo esse esforço, ainda tem muitos alunos confusos quanto ao que é um gênero textual. Uma explicação para isso seria o fato de estarmos sempre querendo classificar as coisas, como se pudéssemos fazer uma previsão de como cada palavra ou texto virá empregado em determinado contexto. Marcuschi (2008, p.170) quebra essa idéia de classificação de gêneros ressaltando que os gêneros textuais são dinâmicos, de complexidade variável e como são sociohistóricos e variáveis é quase impossível classificá-los e que, aliás, a preocupação dos estudiosos não é mais fazer tipologias inconsistentes, a tendência hoje é explicar como os gêneros se constituem e circulam socialmente. Exemplifica esse assunto, explicando que para ele o livro didático é um suporte por conter textos dos mais variados, enquanto para outros estudiosos o livro didático é um gênero textual que tem como estrutura a exposição de diversos gêneros. Por isso deixa claro que:

“O estudo dos gêneros textuais é hoje uma fértil área Interdisciplinar com atenção especial para a linguagem em funcionamento e para as atividades culturais e sociais. Desde que não concebamos os gêneros como modelos estanques nem como estruturas rígidas, mas como formas culturais e cognitivas de ação social.”


Diante destes pressupostos e através de algumas atividades que apliquei nas turmas da escola em que estagio, observei que quando deixamos a exposição estanque dos gêneros e propomos uma mistura deles em sala de aula, os alunos tendem a consolidar mais o conteúdo em sua mente e a se instigarem mais pelo assunto. Temos que convir que existem gêneros, digamos, mais agradáveis de se trabalhar e mais didáticos que outros e que o maior fator que faz com que isso aconteça é o tempo, por isso os alunos vão gostar mais de produzir quando o tema for email e não carta, quando for blog e não diário etc., que além de muitos outros pontos positivos ainda lhes permitem uma liberdade maior quanto ao uso da linguagem.

Durante a semana de aula em que trabalhamos, eu e a professora que auxilio, o gênero notícia e sua estrutura composta por título da notícia, olho e lead, os alunos participaram bastante, principalmente porque os direcionamos sugerindo que as notícias que eles fossem produzir poderiam ser a respeito dos jogos internos da escola que se aproximara e deixara toda a escola na maior euforia. Os alunos gostaram muito e afirmavam “olhe professora se toda vez que for para escrever a senhora pedir para falar de uma coisa assim que eu sei, eu num instante faço”. Seguindo para a próxima unidade do Livro didático nos deparamos com o gênero relatório, então explicamos sua estrutura, sua função, expomos alguns exemplos etc. e avisamos para eles que no final da semana iríamos pedir um relatório das aulas para saber se eles assimilaram o conteúdo, porém nenhum aluno entregou o relatório no dia em que solicitamos e reclamaram que esse gênero era chato e que não sabiam escrever relatando e argumentando. Então sugeri para a professora que a gente poderia trabalhar o gênero relatório de aula dentro do gênero notícia da seguinte forma: o conteúdo da aula seria o título da notícia, um resuminho básico da aula o olho e o lead tudo, “tintim por tintim”, a cerca da aula, a data, o dia da semana, como foi trabalhado o conteúdo, os recursos usados pelos professores, se ficou exercício para casa etc. Obtivemos êxito com essa iniciativa, os alunos aprovaram tanto a mistura que essa prática virou rotina, como eles mesmos perceberam que um relatório de aula é importante para uma pessoa que faltou ficar a par de tudo o que se passou, confeccionamos um mural para expor os relatórios/notícias. Agora se alguém perde uma aula já sabe o caminho certo para obter as informações do que perdeu e o engraçado é que eles discutem quem vai ser o próximo a produzir o relatório/notícia da aula ao invés de reclamarem que isso é muito chato.

Assim pude constatar que a "intergenericidade" é mais um ponto de auxílio para o professor e mais uma saída de emergência, para quando por exemplo queremos apresentar aos alunos romances clássicos como Dom Casmurro (Machado de Assis), Dom Quixote (Cervantes), etc., se os levarmos em forma de quadrinhos os alunos se interessarão mais pela leitura e não se assustarão tanto com a espessura do livro, como mostra diversas pesquisas. É bem verdade que o desânimo do alunado para a leitura e produção de textos é muito notório nos dias atuais, porém cabe ao professor (que se preocupa com o aprendizado de seus alunos) pesquisar e desenvolver planos de aulas que proporcione ao aluno prazer pelo que está sendo visto, é o que ressalta autores como Sírio Possenti, Marcuschi, Paulo Coimbra Guedes, dentre outros. Quando conseguimos sair da teoria e praticamos esse lindo mandamento do Ensino, garanto-lhes a sensação de alma lavada e a satisfação por perceber que tal assunto foi verdadeiramente entendido e encerrado com sucesso são imensas e inexplicáveis.
Por Natália P. j. Santos.

domingo, 20 de julho de 2008

Texto complementar da Disciplina Leitura e Produção de Texto II

O link abaixo contém um texto (monografia apresentada na UFAL) que demontra que a preocupação em persuadir as pessoas não decorre dos dias atuais, mas vem desde a época clássica. Explica a origem dos gêneros textuais e traz uma análise e explicitação dos gêneros jornalísticos: crônicas, artigos, resenhas...

http://www.bocc.ubi.pt/pag/pereira-rose-mary-rocha-thais-discurso-midiatico.pdf