sábado, 11 de junho de 2011
Nomes próprios Fregeanos
terça-feira, 31 de maio de 2011
HORA da PAELLP
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Crônicas Machadianas
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Resenha: escola e sociedade
O autor no presente texto retoma as principais idéias pedagógicas de Marx, a partir de duas intervenções do filósofo alemão no conselho geral da associação Internacional dos trabalhadores. Os pontos principais do discurso de Marx são retomados dos textos das atas do conselho.
As principais idéias de Marx são esboçadas em três pontos: ensino tecnológico e trabalho infantil, relação da escola com a sociedade, o estado e a igreja e o conteúdo do ensino.
No primeiro ponto, o autor indica que para Marx o ensino para as crianças deveria estar associado ao trabalho. Marx, porém, era contrário â associação do ensino com o trabalho na fábrica, na forma como ela operava na época. Para ele, a associação deveria se dá com um trabalho recoberto de aquisições técnicas e culturais, com perspectivas de progresso. Além disso, essa associação entre ensino e trabalho produtivo visto por ele como um dos meios mais poderosos de transformação social, deveria estar subordinado a uma rigorosa regulamentação da duração do trabalho de acordo com as diferentes faixas etárias.
Outra questão importante discutida no primeiro ponto diz respeito ao ensino tecnológico. Para ele, o homem deve adquirir as bases científicas e tecnológicas da produção de forma a trabalhar com as mãos e o cérebro. Isso significa não apenas aprender a técnica, mas também estar consciente do processo que desenvolve, do trabalho realizado, algo que a fábrica moderna havia usurpado do homem por causa da divisão de trabalho.
No segundo ponto, o autor descreve as idéias de Marx a respeito das relações da escola com a sociedade, o estado e a igreja. Referente a relação da escola com sociedade, Marx enuncia uma dificuldade especial: se por um lado, é necessário uma dada condição social para um sistema de ensino correspondente; por outro lado é necessário um sistema de ensino para que haja mudança nas condições. Nos discursos retomados pelo autor do presente texto, Marx não vai mais além do que expor essa dificuldade.
Referente à relação da escola com o estado, Marx deixa claro que o ensino pode ser controlado pelo estado, mas não pelo governo. Ao estado caberia promulgar as disposições gerais, contribuir com os impostos e controlar a obediência às leis. A nomeação dos professores e a escolha dos manuais ficariam a cargo das representações locais. Portanto, ele era contrário tanto a uma escola antiestatal quanto a uma totalmente controlada pelo estado.
Com relação à igreja, Marx se mostrou contrário a qualquer influência desta sobre a escola. E não apenas da igreja, mas também de governo. Marx queria uma escola acessível a todos e livre da ingerência ou influência de preconceitos de classe e da força do governo.
No último ponto, o autor discute as idéias de Marx, concernente ao conteúdo do ensino escolar. Para ele, matérias que permitem interpretações ou conclusões diferentes não devem ser ensinadas nas escolas. Ele é favorável ao ensino de ciências naturais e gramaticais, pois estas não variam de acordo com o pensador. Marx objetivava excluir do ensino toda propaganda, priorizando um ensino rigoroso de noções e técnicas.
MANUELLY DE CARVALHO SILVA
sábado, 7 de agosto de 2010
Inspirai-me, Palas Athena!
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Exclusão social: uma visão geral
O sociólogo francês Robert Castel (1990), definiu a exclusão social como “o ponto máximo atingível no decurso da marginalização, sendo este, um processo no qual o indivíduo se vai progressivamente afastando da sociedade através de rupturas consecutivas com a mesma”. Ou seja, para que o indivíduo possa atingir o ponto máximo da marginalização, excluído pela sociedade, necessariamente, ele vai ter passado por uma série de rupturas em seu relacionamento com sociedade, causando uma anulação da sua própria integridade, pois, no mais relevante ponto deste percurso o indivíduo se encontra muitas vezes fora do mercado de trabalho, impedido de qualquer relação familiar, afetiva etc.
A exclusão pode ser analisada sob três dimensões: a primeira, a dimensão material e objetiva da desigualdade social e econômica, a segunda, refere-se à ética das injustiças sociais e dos preconceitos, e a terceira dimensão, que é, de fato, bem subjetiva, de sofrimentos impostos à milhões de seres humanos.
A complexidade do problema em nosso país, desde o início, constitui um fator primordial: a educação, pois no Brasil a exclusão teve início com o surgimento da escola para todos (século XIX), tendo em vista que esse “todos” não incluía negros, índios e mulheres.
A principal questão è: O que fazer? Numa sociedade em que o “social” e os problemas educacionais são considerados de categorias inferiores, subalternas e os investimentos em projetos sociais resultaria no impedimento dos investimentos produtivos que é o responsável pela geração de riquezas (de quem?).
Para solucionar o problema se faz necessário a reconstrução de uma educação que durante muito tempo foi, e continua sendo pervertida por um sistema econômico social desumano e insustentável.
Por Jessica Gabriel.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Não tenha medo do latim
Tenho observado que muitos colegas do curso de Letras têm tido grandes dificuldades com o latim. Muitos (normalmente a metade de cada turma) trancam a disciplina logo depois da segunda prova, se ainda estiver dentro do prazo previsto para o trancamento. Excelentes alunos, inclusive.
A que se deve essa dificuldade toda? Como estudantes, o que devemos fazer para resolver o problema, seja ele qual for? Devemos refletir. Estudar latim é importante para quem pretende ser estudioso da língua portuguesa ou qualquer outra língua neolatina.
No DLCV (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da UFPB), temos uma excelente equipe de professores de latim, os professores do respeitado “Ambiente 4” (sala dos professores nº 4 do CCHLA – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes). Sinto-me feliz com isso. Os conhecimentos que podemos obter sob orientação deles são relevantes demais e é possível sentir o reflexo disso em outras áreas do conhecimento, na prática.
Não se deve ter medo do latim, não se deve ter medo dos professores do Ambiente 4. Eles são parte do que temos de melhor no curso de Letras da UFPB. São dedicados, são desafiadores e levam os seus alunos a avançar de forma excelente. Como aluna, é o que eu mais gosto de sentir em meus professores: o desafio. Nada melhor do que isso para crescer com qualidade e avançar.
A responsabilidade é grande, para nós. E isso deve ser instigante, motivador e não um motivo para ter medo ou desistir. Não tenha medo do latim. Se o problema for o pouco conhecimento sobre análise sintática, fundamental para entender os casos do latim, vá a uma boa gramática de língua portuguesa e aprenda. Se o problema for o trabalho durante o dia inteiro, para os alunos do noturno, principalmente, aproveite os horários de almoço, os finais de semana, tente reservar mais ou menos uma hora por dia para estudar – isso funciona muito bem. Sinceramente? Novela, cinema, parques de diversões, essas coisas boas da vida, infelizmente, devem ficar para depois. Quando chegar em casa, não vá à televisão, vá ao latim. Vou contar uma coisa: vale muito a pena! Eu tenho tido que esquecer os meus queridos filmes clássicos, mas compensarei tudo nas férias. É assim que funciona.
Perder uma aula de latim? Jamais! Não se deve perder nem um minuto da aula, não se deve chegar atrasado nem sair mais cedo. Cada pequeno detalhe transmitido pelo professor em sala de aula é de grande valor. Não perca aula nem fração de aula e tudo vai ser bem melhor. Mas se for preciso faltar ou se atrasar, não deixe o tempo passar, procure imediatamente ajuda de colegas, das monitoras, dos professores, e tudo irá bem. Nunca acumule tudo para as vésperas das provas, pois fica muito difícil recuperar o tempo perdido.
Não tenha medo do latim, tenha medo de não se dedicar, não se esforçar, não fazer o que você é capaz de fazer: aprender latim e obter notas altas na disciplina. Se houver interesse nisso e verdadeiro esforço, fica tudo muito fácil. Fácil mesmo, pode acreditar em mim.
Aprender latim é dar um salto grande! Aproveite a oportunidade que temos. Ela passa. Quando passar, não vai voltar atrás. Não tenha medo do latim, tenha medo de perder essa oportunidade de aprender.
Χαλεπὰ τὰ καλά (kalepá tá kalá = “As coisas belas são difíceis”, em grego clássico). Eu diria mais: tudo o que é mais difícil é também muito mais gostoso.
Késia Mota
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Resenha do aritgo "Alforria Curricular através da Lei 10.639".
É importante ressaltar que essa questão não pretende abordar a temática dos grupos excluídos, pois se este fosse o objetivo, teríamos uma lista extensa de grupos a serem inseridos na ocasião: índios, homossexuais, judeus, árabes, etc. Trata-se de uma motivação histórica e sócio-cultural.
A Lei 10.639 de 09 de Janeiro de 2003, sancionada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva alterou a Lei de Diretrizes e Bases (LDB). A partir de então, tornou-se obrigatório a inclusão, no currículo das escolas de ensino fundamental e médio (públicas e privadas), o estudo da História e Cultura Afro-brasileira. Busca-se com isso, resgatar a contribuição da raça negra nas áreas social, econômica, política e cultural no cenário brasileiro. A lei propõe ainda, que os calendários escolares incluam o dia 20 de Novembro como Dia Nacional da Consciência Negra.
A iniciativa de inserção da lei é celebrada pelos autores, pois eles afirmam que a escola seria o melhor lugar para que, a partir dos primeiros anos de vida, o aluno possa entrar em contato com essa realidade que fora anteriormente deturpada, dissociada da sua importância na formação da sociedade brasileira.
Em recente estudo sobre as condições de vida de brancos e afro-descendentes nos setores ocupacionais e educacionais em bairros da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, BRANDÃO (2003) aponta gritantes disparidades entre negros e brancos. Em uma mesma região onda há a miscigenação entre essas raças, os negros sempre dispõem das piores condições de estudo e trabalho. Esta pesquisa mostra a impossibilidade de relacionarmos apenas a questões de classe social a problemática do racismo no Brasil, pois as desigualdades se tornam maiores, mesmo com uma série de políticas universais voltadas para as classes pobres.
Nesse sentido a lei já passa a se sustentar como um todo. Mostrará, na prática, sua importância para as novas gerações quando, dentro de alguns anos, tiver criado nos alunos condições para reflexões. Não é o caso de criar histórias; propõe-se uma abordagem afetiva e cognitiva, na qual os alunos poderão preencher uma lacuna criada - e ignorada - pelas elites brasileiras.
Para recompormos esse vácuo existente na sociedade não bastam políticas paliativas. Tais políticas possuem um papel importante nesse aspecto, porém é preciso reconhecer o negro como ser integrante de um processo, é preciso dar-lhes oportunidades concretas, dignas, para que eles sintam, de fato, a realização dessa inclusão social há tanto tempo pregada, mas nunca efetivada de forma consistente. Somente através da construção do conhecimento, de suas raízes, seu histórico e sua contribuição na construção da nação brasileira, poderão os afros, enfim, construírem um sentimento de auto-estima. Ao contrário, estarão sempre na condição de reféns.
Não pretendemos que os professores ensinem que o racismo é errado, que não devemos ser racistas. Evocamos, aqui, o poder da educação para que, através de discussões voltadas à valorização e esclarecimento, não somente do patrimônio (histórico-cultural, arquitetônico, ambiental, etc.), mais ainda, sobre a importância do significado que a cidadania coletiva pode ter na busca na valorização do homem, os alunos possam formar uma consciência esclarecida, dissociada de preconceitos impostos por valores deturpados.
Não existe caminho mais sólido que a educação. Assim, para que haja uma redução nas disparidades existentes, devemos preparar nossos professores e disponibilizar material didático. É um projeto de curto e médio prazo, mas se trabalharmos, dentro de quatro anos poderemos ter uma primeira geração de educadores aptos a incorporarem no cotidiano escola a cultura afro.
Como medida emergencial cada escola deve incluir em seus projetos pedagógicos uma discussão acerca da cultura afro. Como foi sugerido, esses conteúdos poderão fazer parte dos programas e estratégias desenvolvidos em cada unidade escolar. A própria miscigenação racial existente nos estabelecimentos de ensino já proporcionam um reconhecimento da heterogeneidade brasileira. Então, não devemos temer a falta de preparação dos profissionais para abordarem tais conteúdos, uma vez que estes estão presentes no cotidiano brasileiro. É papel do Governo acionar as universidades, exigindo a inclusão de módulos ou disciplinas específicas sobre o tema. Sem dúvida, os profissionais que já trabalham com esses conteúdos, além de desejosos em divulgar seus trabalhos, terão plenas condições de formarem seus alunos para a construção de uma prática igualitária, justa e cidadã, através da educação.
Nathália Pinto do Rêgo
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Resenha do livro: A Formação do Professor de Português: que língua vamos ensinar?
O exercício da língua portuguesa é uma tarefa a ser realizada de modo que se torne um trabalho de construção de uma identidade cultural, como instrumento de apropriação da realidade social e cultural pelos brasileiros. Para que isso possa acontecer a qualificação do professor deve revelar-se capaz de ter domínio da língua em que a literatura brasileira se escreve. Sendo assim, em vez de tentar levar o aluno a uma adesão de uma língua a ser escrita e falada em todos os momentos, a escola precisa propiciar-lhe domínio da língua escrita e falada para as mais diferentes situações de uso – tanto através da leitura, como da produção de textos, para que ele possa incorporar a construção de sua identidade cultural.
Entretanto, há uma crise de identidade do professor de português assim como o exercício do seu ministério, que estão ligados diretamente a um fato histórico desencadeado pelo reducionismo a que se chegou a sua profissão, ou seja, foi tirado do professor a responsabilidade de produzir ciência, tornando-o apenas um mero transmissor de conhecimento – e o que é pior, tornando-se um ‘capataz de livro didático’. A ditadura militar, a qual o Brasil passou de 1964 a 1984, desqualificou em tais proporções a categoria do professor e o fez baixar a cabeça às regras ditadas pelo livro didático.
Nas assessorias pedagógicas costuma-se perceber alguns equívocos grotescos, pois se fala muito em realizar formações continuadas para dar subsídios aos professores que já estão atuando na área, e, através desses encontros são descobertos que há uma massa de professores resistentes à abertura para o “novo”, pois, para a concretização deste é preciso tempo e disposição para pensar em algo precioso e trabalhado para a aula de português. Por isso, a maioria dos professores que freqüentam os encontros de formação, dizem já ter adotado uma prática reflexiva dos conteúdos, quando na verdade, a prática do ensino está camuflada por outra prática.
Com efeito, é possível construir uma nova identidade para o professor de português, desde que, ele próprio possa valorizar sua categoria, tornando, sobretudo, um investigador de sua própria prática docente e se possível modificador de sua prática, isto é, o professor deve constituir-se como um sujeito reflexivo como reflete Libâneo (1994).
A maioria das pessoas acham que a habilidade de escrever nasce de acordo com a genética do sujeito, mas, na verdade, é um processo que parte do ato de treinar constantemente a escrita e leitura. É partir daí, que podemos inferir que o sujeito se constrói culturalmente.
A aquisição da língua portuguesa como uma cultura na sala de aula não está para um aprendizado e domínio daquilo que o falante de português brasileiro desde pequeno já sabe, mas sim, como fator inibidor e repressivo escolar, caracterizado pela imposição da norma culta.
O homem como sujeito de transformação só entenderá como se dá a construção histórica da realidade social se entender que a literatura brasileira deve ser o ponto de partida do ensinar “a ler e escrever”, por ser a esta um projeto de resistência ao colonialismo. Através da literatura descobrimos a essência da nossa língua. Sendo assim, a tarefa do professor de português é desprivatizar a língua escrita ensinando seus alunos a ler e escrever para que passem a ser co-participantes da produção de conhecimento a respeito do Brasil. O professor tem que mostrar ao aluno que ele já sabe português, mas que, precisa aprender uma variante lingüística para determinadas ocasiões de fala e de escrita. Ninguém nasce sabendo ler e escrever, aprende-se a ler e escrever! Com efeito, para que isso aconteça, é imprescindível que o próprio professor seja também um leitor. A leitura com profundidade, reflexiva, constrói sentidos significativos para a formação de um agente social.
Paulo Coimbra Guedes considera que a aula de português de chegou a um nível de decadência muito alto. Pois, as aulas de português de tanto se resumirem ao ensino das regras da gramática normativa na escola desde as primeiras séries do ensino tem se colocado como senhora da língua. No ensino fundamental, por exemplo, a literatura fica esquecida e no ensino médio apenas uma fatia das obras literárias é estudada. Algumas dessas obras são estudadas de acordo com a biografia e/ou a escola literária da qual o autor pertença. Por essa razão, o aluno de letras ao chegar na academia, não trás consigo uma bagagem de leitura literária e, por isso, surgem problemas na formação acadêmica em decorrência das leituras que faltaram ser dadas nessa fase escolar.
Os problemas apontados pelo autor já são em grande parte conhecidos tanto por parte de cientistas da linguagem, professores e alunos que ainda estão na graduação em Letras, sobretudo, no que tange a dicotomia escrita x fala. A proposta de se trabalhar a aula de português partindo da Literatura Brasileira trazida pelo autor é, em si, interessante – posto que, já ficou provado que a gramática normativa com suas regras, não garante uma aquisição satisfatória de uso da escrita e da fala nos mais variados contextos interacionais.
Contudo, ao colocar a literatura como ponto de partida para o ensino na aula de português, o autor parece se esquecer que o aprendizado não se dará somente naquele momento de aula do professor para com os alunos na sala. Seria preciso que o próprio aluno adquirisse obras de boa qualidade em suas mãos, entretanto, não ocorre, pois adquirir livros de boa qualidade custa caro no Brasil, porque como diz o próprio Paulo Guedes: “À elite não interessam bons resultados porque não interessam profissionais competentes. Incompetentes adesivistas são mais manipuláveis e incompetentes são menos perigosos”.
Portanto, para que a proposta do autor pudesse mesmo valer seria preciso realmente colocar a educação no lugar de destaque. Claro que devemos reconhecer os avanços na educação iniciados a partir de 2002, mas não é suficiente para dizermos que no Brasil a educação é de boa qualidade.
Por: Jailton Santos
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
O grande teste
Todos nós, alunos da UFPB, tivemos que passar por esse martírio que é o vestibular. Nos anos que prestei vestibular não havia outro assunto em minha vida e na dos colegas que me rodeavam que não fosse essa prova. A escola e o cursinho utilizavam qualquer conhecimento que pudesse ser adquirido como possível questão para a tão esperada prova.
Mas às vezes me pergunto se essa forma de avaliação para ingressar em universidade é realmente eficaz. Esse questionamento vem das minhas experiências em quanto professora. Em muitas situações, devo preocupar-me apenas com a possível proposta da prova de 3º ano do que com o uso da língua portuguesa que esses jovens deverão fazer ao longo da vida. Muitos desses alunos, por exemplo, não sabem ler as informações importantes que contêm em uma conta de energia a não ser no tópico “Total a pagar”. Isso ocorre porque esse gênero textual possivelmente não “cairia” na prova do vestibular ou em concursos.
Costumo comparar os cursinhos pré-vestibulares e escolas que agem como esses cursinhos às auto-escolas (estas que me perdoem a comparação e a sinceridade!). Se você reparar as auto-escolas fazem todo o possível para que você dirija bem na pista imaginária do Detran, imaginária porque não há motoqueiros ultrapassando pela direita, pedestres e você não sai da primeira marcha!
Não que o vestibular seja tão irreal, mas preocupando-nos apenas com ele, não oferecemos aos nossos alunos o que vai além do momento de uma prova. Tenho consciência da importância dos cursinhos para os alunos revisarem o conteúdo do ensino médio, mas é necessário que a escola faça o seu papel de educar e proporcionar uma grande quantidade de conhecimento não focando exclusivamente uma prova que muitas das vezes não avalia de fato.
Pollyanna Freire
sábado, 28 de novembro de 2009
NÃO À UNIVERSIDADE FAST FOOD - LINGUAGEM E LEITURA JÁ
No cotidiano, os “quase” em desuso: cartas, bilhetes, recados, lembretes.
Na literatura, os eternos contos, crônicas, romances.
Nos jornais, artigos, notícias, reportagens, editoriais.
E os gêneros que emergem na mídia digital, que têm como suporte o computador. No ciberespaço, temos e-mail, bate-papo virtual (chat), aula virtual, weblogs, fotologs, vídeo-conferência interativa. Lembrando que e-mail é gênero e suporte.
E na UNIVERSIDADE, no meio acadêmico:
Resumos, relatórios, artigos científicos, resenhas, ensaios, monografia.
Sim, aqueles dos quais tanto os professores de Língua Portuguesa I e Português Instrumental falam... não porque querem ser repetitivos, mas porque é necessário fazer o aluno perceber a necessidade do domínio da escrita nos referidos gêneros, se ele, de fato, quiser traçar o percurso da graduação.
Além disso, é nossa função alertar para o fato de que a Universidade é o lugar de formação dos sujeitos, da cultura, do pensamento, da ação, da política. Ora, se isso é fato, então devem-se cumprir as exigências próprias do trabalho intelectual:
1) Estudar no ensino superior é interrogar, pensar os conceitos, as articulações lógicas, os argumentos, os métodos. Sem estudo e debate crítico, só pode haver superficialidade, frases feitas, banalização do saber e da realidade, sem compreensão do sentido das teorias e da realidade, em produção do novo.
2) A LEITURA é inseparável do estudo, condição sem a qual não há ensino superior: é constitutivo do processo de leitura a compreensão do sentido das coisas, dos processos, dos acontecimentos, das idéias, dos conceitos, das articulações.....
3) Muitos alunos lêem pouco no Ensino Superior: quando o fazem, apenas para a produção imediata de trabalhos ou provas.
4) É fundamental que os docentes ensinem os alunos a ler, que indiquem e trabalhem livros inteiros nas disciplinas. Sem o aprendizado e o domínio da leitura não dá para se pensar em monografias de TCC, pós, mestrado, doutorado.
5) Cuidado, a naturalização do uso de cópias de livros, de cadernos dos colegas, de anotações feitas em aula, ou para as aulas, como meio principal, às vezes único, de contato, de relação extrínseca com o saber completa essa realidade lamentável. Entre outros equívocos e limites, cópias xerográficas de textos ou de livros não formarão uma biblioteca, nem serão colocadas em estantes.
6) Onde estão as bibliotecas???????
LEIAM:
Coêlho, Ildeu Moreira. A Universidade, O saber e o Ensino em Questão. In: Veiga, Ilma&Naves, Marisa (org), Currículo e Avaliação na Educação Superior. Araraquara: Junqueira &Marin, 2005.
domingo, 8 de novembro de 2009
Todos querem o Siri na lata

Oi, aqui é Bruna. Acredito que muitos já saibam da existência desse texto feito pela aluna Simeia. Finalmente chegou em minhas mãos. Soube que foi lido na sala, em voz alta, na presença do próprio! Com toda ousadia, o disponibilizo:
Conta-se que em uma universidade, que não era de um reino tão tão distante assim, foi iniciado o período acadêmico dos alunos graduandos do curso de Letras. As expectativas eram imensas. Será que tal período seria doce como alguns textos literários, ou nefastos como algumas teorias linguísticas? Quem mais agrado render à literatura concorde com a afirmação, mas para não frustrar nem incitar contendas com os linguistas, meus caros, invertam as ideias e todos partilhem do real propósito deste desabafo.
Alguns mestres humildes entendem e procuram jogar sementes para os campos brancos do conhecimento, não pretendem reter para si as colheitas. Esperam, debatem, sonham, apaixona-se, desapaixonam-se, todavia, colocam-se como mediadores, propagadores, orientadores do saber. Compreendem que a busca sempre será incessante e mui longo será o caminho. Outros sargentos marcham pesado, pisam os próprios calçados, quase obrigam a batida de continência, resta apenas exigir reverência de seu alunado. Estamos no quartel, no laboratório experimental da Língua Portuguesa. Incrível como é prazeroso convocar o recruta medroso a responder o questionário no quadro, as cômicas chamadas orais, voltemos então às lições das tabuadas. Queremos o modelo tradicional!
São jovens, recém doutores, nobres professores que apenas tentam resgatar a perdida Identidade Educacional. Abaixo o questionamento, são os donos da verdade. Se morrerem os pais, ou acometidos estamos de enfermidades, a sala não é lugar para lamúria, não é interessante seus padecimentos. Antes o suicídio que a falha pela entrega dos trabalhos exigidos. Aperte a bexiga, deixe os lábios ressequidos, não pisque os olhos para que o mestre não seja interrompido. O mijo deve submeter-se a disciplina. Não permita que vibre o celular, se não quer se trumbicar, o melhor é desligar!
Sinto falta apenas da correção da palmatória, do milhinho no recanto da sala, que triste não haver mais o gorrinho do burrinho! Hoje a educação está uma palhaçada!
Palmas para a humilhação e ao desprezo à classe popular, aluno é para se modernizar. Dizia a tola professora a delirar: “Não brincam as crianças pobres, de ruas esburacadas e de esgotos a céu aberto”. Mas, como culpar o pobre professor, o lutador, a mente brilhante do progresso, que envia textos e exige trabalhos apenas via internet? Isso é que é um educador.
Se cresse em reencarnação, diria que o dito Cirineu, lá dos tempos do sacro Jesus Cristo, baixou no mundo dos viventes, logo logo chegou a doutor, de fardamento quadriculado, fez sérios os tons pastéis, e mesmo ausente o coturno, marchava no horário diurno. Incansável pesquisador, adorável ditador, que achava lindo o que dizia, exigente da nossa alegria. Mesmo que não concordasse, queria que afirmativamente nossas cabeças balançassem.
Certo dia depois dos produtivos conteúdos estudados, exigiu com a doçura de cão voraz um tenebroso e cruel trabalho. Antes de comentar o desafio, revivamos juntos, unidos, a aula que explicou como utilizarmos um programa necessário ao campo fonético. A seguir mostraremos os passos:
1º Abra isso
2º Feche aquilo
3º Abra de novo isso
4º Feche novamente
5º Escreva isso
6º Salve como...
7º Ainda não está salvo, então abra...
8º Agora feche!
9º Agora abra!
10º É muito simples!
11º É tão simples!
12º Como é simples!
13º É assim que se pronuncia
É um horror essa tirania!
Mas o momento de êxtase da explicação é afirmar a simplicidade do programa, afinal, um professor apaixonado entende que o problema não é a complicação do programa ou a rapidez da explicação, mas ser apaixonado, mostrar a beleza que está por trás das turbulências enigmáticas. Uma releitura viva do filme: “Meu Mestre, Minha Vida”. Ele chegou para dar um salto na Educação. Oportunidade única tê-lo conosco.
Se cobrados fossem os ingressos pelas entradas e saídas no MSN utilizado, o dito professor ainda mais enriqueceria, quanta grana está perdendo, mas o legal é saber que estamos sofrendo. Um ser cristão, que baseou-se nas sagradas escrituras e na beleza do sermão monte: “Os humilhados serão exaltados”, também noutra passagem, “[...] o choro pode durar uma noite, mas alegria vem no amanhecer”.
Como esquecer estas aulas maravilhosas! Agora voltemos a tarefinha de casa. Tão simples como a explicação do programa, o desafio seria apenas fichar dois textinhos, bem simples, bem teóricos, hieróglifos chatonísticos, maquiavélicos, fonéticos, todavia, estamos alargando nossos horizontes do conhecimento. Certamente se Orkut o dito cujo tivesse, em peso a sala o adicionaria e cheio de depoimentos sua página lotaria. Tão modernos são alguns que o confessionário foi virtual, nem trabalho tiveram de ficar online, as pauladas offline também surtem efeito.
Não queremos perdê-lo nunca, queremos privilegiados ser, e outras maravilhosas disciplinas, com ele pagar. Seus foras são como cajadadas de um pobre pastor disciplinador, afinal, quem ama corrige, mesmo que dura seja a vara. Como Davi, tocamos várias vezes à lira, para expulsar e de vez exorcizar os maus espíritos, mas o que fazer se dedicados são ao saber? Não se trata de empregados privados, já foram efetivados. Enquanto uns curtem a folia de um Matusalém, outros não ousam ir além, recolhem-se ao escritório, pois seu estado é probatório!
Ao mestre Siri, um Feliz dia do professor! Esse texto com emoção, envio-te como saudação, por tua incansável dedicação em resgatar as memórias ditatoriais, esquecidas nos Arquivos Históricos Nacionais. Como perto está do término da disciplina, fechemo-lo na latinha, e entreguemos a outra turminha. Pois egoístas não queremos ser, e mesmo sem merecer, tivemos o prazer do Siri na lata conhecer.
domingo, 1 de novembro de 2009
A história das coisas
Certo dia no estágio , levei uma atividade de leitura e produção de texto para os alunos do 9°ano. Como sempre liamos textos e depois discutiamos, desta vez resolvi levar para eles a seguinte tirinha da Mafalda:
Como sei que tá um pouco difícil de ler vou resumir: mafalda pede silêncio ao seu colega, pois tem um doente em casa, ele pergunta se é sei pai ou sua mãe, ela responde que não e fica no quarto olhando para o globo.
Na atividade que trabalhei com os alunos, solicitei que eles identificassem quem era o estranho doente que mafalda se referia e que após identificá-lo os alunos deveriam responder por que será que a Mafalda chegou a essa conclusão e produzissem um texto argumentado por que o mundo está doente, se ainda há como salvá-lo e se sim o que poderíamos fazer para isso.
O resultado foram redações até aceitáveis dentro do padrão culto e bem organizadas de acordo com o gênero, porém os argumentos foram totalmente infantis, a maioria só sabia falar que era porque não jogamos lixo no lixo.
Acredito que sempre que solicitarmos uma produção de texto ao aluno dentro de um determinado tema, devemos já ter pensado em todos os aspectos em que esse tema pode ser explorado. No caso do tema que sugeri: a doença do mundo, gostaria que os alunos percebecem que o mundo está doente de várias doenças causadas por "n" fatores, tanto do plano físico: poluição, efeito estufa, desmatamento, caçadas indevidas de animais etc., quanto do plano mental: a falta de amor, de respeito, de compaixão, a violências etc. Porém, como ja´disse, para eles a doença do mundo era a poluição e a solução era jogar lixo no lixo.
Em casa, fiquei maquinando meu plano "B", que no caso seria a reescrita, mas como se o problema não era na norma culta nem na estrutura do texto e sim no conhecimento de mundo deles? Mandá-los assistir aos noticiários ou ler uma revista? Mas quem iria me garantir que eles atenderiam meu pedido. Então, digitando consciência ambiental no google, encontrei um vídeo ótimo, super didático, chamado " A história das coisas", que explica como nós seres humanos estamos acabando cada vez mais rápido com o planeta. Não pensei duas vezes, salvei o vídeo em um cd e levei para os alunos na escola, o vídeo tem mais ou menos 22 min e deu tempo suficiente para assistirmos e discutirmo em uma aula. Como tínhamos duas aulas a segunda ficou para eles reescreverem seus textos, não deu outra, os textos ficaram ótimos. E mais uma vez a sensação de alma lavada foi tamanha!
Gostaria de escanear um deles, mas eu já os devolvi, pois essa atividade foi feita em agosto.
Segue abaixo o link* para quem quiser baixá-lo, não deixem de assistí-lo, garanto que os 22min valerão muito a pena, não pense que o que tem aqui são argumentações que já estamos cansados de saber, não, são reflexões que nos fazem repensar sobre nossos vícios de consumo.
http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E
Por Natália P. j. Santos
* tentei postar o vídeo, no entanto como ele é muito grande passei mais de 3 horas esperando anexar e nada. Por isso, só deu para postar o link da página do youtube mesmo.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Blog: Um destino para os textos redigidos na escola.
Impregnada “até a alma” com essas teorias resolvi por em prática a idéia do blog para incentivar as produções textuais dos alunos do 9° ano, conversei com a professora que gostou muito da idéia (que não foi minha) não mais que os alunos que adoraram o fato de passarem a ser vistos não mais como aluno fulano, mas como autor fulano. E a primeira atividade que solicitamos para eles foi a elaboração de uma minibiografia deles para expor no perfil do blog ao lado de suas fotos. Como sempre há um desafio, nesta turma de 15 alunos, apenas 10 se empolgaram, sugeriram cor, fizeram votação do nome que ao fim ficou decidido como “Os Melhores do A.B.M”, disponibilizaram a foto etc. E todos já estavam cientes do critério para ter o texto exposto no blog, ele tinha que ser o melhor de acordo com a opinião do professor e da turma.
Enfim gente, espero que vocês aprovem e se não for pedir demais aos que estão lecionando adotem essa estratégia, pois fundamentação teórica tem, relatos de experiências positivas têm também, só falta a disposição para ser posta em prática.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Um gênero dentro do outro: Uma novidade em sala de Aula que estimula o aprendizado.

Ultimamente a preocupação em divulgar os gêneros textuais em sala de aula tem dado espaço para diversos congressos, estudos, teorias, críticas, etc. Porém, apesar de todo esse esforço, ainda tem muitos alunos confusos quanto ao que é um gênero textual. Uma explicação para isso seria o fato de estarmos sempre querendo classificar as coisas, como se pudéssemos fazer uma previsão de como cada palavra ou texto virá empregado em determinado contexto. Marcuschi (2008, p.170) quebra essa idéia de classificação de gêneros ressaltando que os gêneros textuais são dinâmicos, de complexidade variável e como são sociohistóricos e variáveis é quase impossível classificá-los e que, aliás, a preocupação dos estudiosos não é mais fazer tipologias inconsistentes, a tendência hoje é explicar como os gêneros se constituem e circulam socialmente. Exemplifica esse assunto, explicando que para ele o livro didático é um suporte por conter textos dos mais variados, enquanto para outros estudiosos o livro didático é um gênero textual que tem como estrutura a exposição de diversos gêneros. Por isso deixa claro que:
“O estudo dos gêneros textuais é hoje uma fértil área Interdisciplinar com atenção especial para a linguagem em funcionamento e para as atividades culturais e sociais. Desde que não concebamos os gêneros como modelos estanques nem como estruturas rígidas, mas como formas culturais e cognitivas de ação social.”
Diante destes pressupostos e através de algumas atividades que apliquei nas turmas da escola em que estagio, observei que quando deixamos a exposição estanque dos gêneros e propomos uma mistura deles em sala de aula, os alunos tendem a consolidar mais o conteúdo em sua mente e a se instigarem mais pelo assunto. Temos que convir que existem gêneros, digamos, mais agradáveis de se trabalhar e mais didáticos que outros e que o maior fator que faz com que isso aconteça é o tempo, por isso os alunos vão gostar mais de produzir quando o tema for email e não carta, quando for blog e não diário etc., que além de muitos outros pontos positivos ainda lhes permitem uma liberdade maior quanto ao uso da linguagem.
Durante a semana de aula em que trabalhamos, eu e a professora que auxilio, o gênero notícia e sua estrutura composta por título da notícia, olho e lead, os alunos participaram bastante, principalmente porque os direcionamos sugerindo que as notícias que eles fossem produzir poderiam ser a respeito dos jogos internos da escola que se aproximara e deixara toda a escola na maior euforia. Os alunos gostaram muito e afirmavam “olhe professora se toda vez que for para escrever a senhora pedir para falar de uma coisa assim que eu sei, eu num instante faço”. Seguindo para a próxima unidade do Livro didático nos deparamos com o gênero relatório, então explicamos sua estrutura, sua função, expomos alguns exemplos etc. e avisamos para eles que no final da semana iríamos pedir um relatório das aulas para saber se eles assimilaram o conteúdo, porém nenhum aluno entregou o relatório no dia em que solicitamos e reclamaram que esse gênero era chato e que não sabiam escrever relatando e argumentando. Então sugeri para a professora que a gente poderia trabalhar o gênero relatório de aula dentro do gênero notícia da seguinte forma: o conteúdo da aula seria o título da notícia, um resuminho básico da aula o olho e o lead tudo, “tintim por tintim”, a cerca da aula, a data, o dia da semana, como foi trabalhado o conteúdo, os recursos usados pelos professores, se ficou exercício para casa etc. Obtivemos êxito com essa iniciativa, os alunos aprovaram tanto a mistura que essa prática virou rotina, como eles mesmos perceberam que um relatório de aula é importante para uma pessoa que faltou ficar a par de tudo o que se passou, confeccionamos um mural para expor os relatórios/notícias. Agora se alguém perde uma aula já sabe o caminho certo para obter as informações do que perdeu e o engraçado é que eles discutem quem vai ser o próximo a produzir o relatório/notícia da aula ao invés de reclamarem que isso é muito chato.
Assim pude constatar que a "intergenericidade" é mais um ponto de auxílio para o professor e mais uma saída de emergência, para quando por exemplo queremos apresentar aos alunos romances clássicos como Dom Casmurro (Machado de Assis), Dom Quixote (Cervantes), etc., se os levarmos em forma de quadrinhos os alunos se interessarão mais pela leitura e não se assustarão tanto com a espessura do livro, como mostra diversas pesquisas. É bem verdade que o desânimo do alunado para a leitura e produção de textos é muito notório nos dias atuais, porém cabe ao professor (que se preocupa com o aprendizado de seus alunos) pesquisar e desenvolver planos de aulas que proporcione ao aluno prazer pelo que está sendo visto, é o que ressalta autores como Sírio Possenti, Marcuschi, Paulo Coimbra Guedes, dentre outros. Quando conseguimos sair da teoria e praticamos esse lindo mandamento do Ensino, garanto-lhes a sensação de alma lavada e a satisfação por perceber que tal assunto foi verdadeiramente entendido e encerrado com sucesso são imensas e inexplicáveis.
sábado, 26 de setembro de 2009
Professora dificultadora
Nunca gostei dessa expressão. Primeiro porque dá a impressão de que a palavra “professor” agride, já que precisaria ser substituída. Depois porque facilitar as coisas normalmente é visto com a ideia de dar uma ajudinha antiética. “Ah, professor, facilita as coisas pra mim, vai? Eu tive média 6.0, me dá mais um ponto aí para eu não ir pra final?” Recentemente, ouvi uma versão ainda mais negativa de “facilitador”. Um professor que admiro muito, excelente professor, disse que não é facilitador, pois esta expressão é usada para se referir a “cafetão”, no interior. Isso mesmo, aquele homem que facilita as coisas para alguém conseguir parceiro para o sexo. Uau! Acho que as pessoas que inventaram essa moda não estavam por dentro da pragmática. Expressões consideradas politicamente corretas podem ser uma armadilha.
O que é, no entanto, ser politicamente correto quanto à linguagem? Tenho pensado muito sobre a questão do certo e do errado. Há diversos teóricos defendendo o ponto de vista segundo o qual não se deve dizer que alguém fala errado. Isso pra mim é muito confuso, sinceramente. Penso na hipótese de um aluno me aparecer falando: “Professora, dá o questionário pra mim fazer?” Aluno aplicado, não? Mas como eu deveria me comportar com ele? Pensar que no ambiente em que ele mora é comum usar a expressão “pra mim fazer”, que toda a família dele fala assim, a vizinhança dele fala assim, os colegas da escola falam assim, só a professora não fala assim e, portanto, dizer que ele não fala errado, mas usa uma variação diferente da que eu uso? Eu não poderia corrigí-lo, portanto?
A resposta a essa indagação é, a meu ver: “Pode corrigir, sim! Claro!” Esse estudante quer aprender (tadinho, até me pediu para fazer um exercício) e eu, como professora, tenho o dever de ensinar. O conhecimento da linguagem bem articulada não deve ser negado às pessoas só porque o ambiente em que elas vivem não fazem uso dela. Não me vejo como facilitadora, mas como professora. Professora, a meu ver, é “dificultadora”, mesmo. Usei a palavra para contrapor à outra, viu?
O menino, na minha hipótese, está no 3º ano do ensino médio, deve ter uns 17, 18 anos, sempre falou “pra mim fazer” e sempre conviveu com pessoas que falam assim. Eu não deveria colocar tanto problema na cabeça dele, forçando o coitado a falar diferente do que sempre esteve acostumado. Deveria facilitar a vida dele. Seria isso? Não penso em facilitar coisa nenhuma. Penso em dificultar mesmo. O menino vai fazer o vestibular, vai elaborar uma redação que vai ser corrigida por excelentes professores da universidade; estes professores não vão querer ver escrito “pra mim fazer”. Depois, aprovado no vestibular, esse menino vai para a sala de aula de uma universidade e vai participar nas aulas. “Pra mim fazer” não vai pegar bem. Algum tempo depois, ou quem sabe mais cedo do que a gente pensa, ele vai a uma entrevista de emprego. O entrevistador não vai gostar de ouvir “quero trabalhar aqui pra mim fazer o que gosto”.
Com a ideia de ser um facilitador, muito professor de literatura não estuda mais os clássicos com os alunos. A garotada não gosta mais de clássicos, eles querem algo mais fácil. Então vamos facilitar: livros infantis para eles. Que horror!*
Enfim, o que eu quero dizer, afinal, é que a comunicação deve ser expontânea e agradável, sim. Dizer para uma mãe que o seu bebê é feio, por exemplo, isso não é politicamente correto. “Mas ele é feio mesmo?” Ora, alguma outra virtude o bebê tem, então não precisa falar sobre a beleza, fala de outra coisa: “Que bebê desenvolvido! Como ele é esperto!” Igualmente, na sala de aula, o professor não deve dizer: “Pra mim fazer, menino! Que burrice! Fala direito!” Politicamente correto, no caso, não é fingir que ele não errou, mas falar sobre isso com ele de forma elegante, agradável, sem ferir. Tentar ensinar à turma toda, em outra ocasião: “Hoje vamos falar de uma questão sobre a qual muita gente tem dúvida: qual a forma correta de se falar: pra mim fazer ou pra eu fazer?”. Enfim, ser politicamente correto é muito mais do que usar palavras que algumas pessoas determinaram. Está no coração.
Um abraço a todos!
Késia Mota
*Quero deixar claro aqui que eu não sou contra a onda de Harry Potter, Crepúsculo, As Crônicas de Nárnia e outros livros, nas escolas. Nunca li Crepúsculo, na verdade, mas li os 7 volumes de Harry Potter e gostei muito. Dá para aplicar, com certeza. Mas não se pode abandonar os clássicos. Dia desses ouvi um professor de literatura dizer que os alunos não gostavam dos clássicos e pediram algo que falasse de sexo (sic). O professor, muito sábio, levou livros que abordam o tema. Contos eróticos, livros com fundo erótico, todos clássicos (Madame Bovary, O Primo Basílio...). Parabéns pra ele!