segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Contos de Enganar a morte


Como estamos na semana de Finados, não conheço nenhum outro tema melhor para se tratar dentro desse contexto que " A MORTE". Muita gente tem medo da morte, porém não adianta temê-la, porque uma coisa é certa: ela sempre vem, para alguns mais cedo para outros mais tarde, mas vem. O curioso é que a morte sendo uma trabalhadora tão assídua em seu emprego, tão responsável com seus horários, não faz distinção de ricos ou pobres, mas o povo sempre faz questão de xingá-la e ninguém a quer por perto. Um livro interessante para acabar com essa visão tão pessimista da morte é Contos de Enganar a Morte, de Ricardo Azevedo, da editora Ática. As ilustrações feitas pelo próprio autor são em preto e branco, em traço firme e grosso, lembrando muito xilogravuras de literatura de cordel. O livro traz quatro saborosas narrativas populares brasileiras de pessoas que não queriam morrer e inventaram truques astuciosos para escapar da morte.

Os quatro contos são excelentes e a maneira da escrita de Ricardo Azevedo utiliza um tom cômico, o que certamente, agrada aos leitores de bom humor. Por esse motivo, humanos bem-humorados e mal-humorados, a dica é: "Não é preciso se preocupar com a morte. Ela é garantida e ninguém vai ser bobo de querer roubá-la da gente. O importante é cuidar da vida, que é boa, bela, rica, preciosa, porém frágil. Ela sim, pode ser roubada." (ditado popular)


Resumo dos contos:

O homem que enxergava a morte” traz a história de um homem que convida a Morte para ser madrinha de seu filho e em troca ela lhe concede o dom de adivinhar se um doente irá morrer ou viver. Com isso ele se torna um médico rico e famoso, mas é claro que quando chega a hora dele mesmo bater as botas a história é outra.

O último dia na vida do ferreiro” narra a história de um ferreiro que não se seduz com falsas propostas de riqueza feitas pela Morte. Depois de ajudar uma velha necessitada, tem seus desejos atendidos e assim engana a Morte por duas vezes. Mas como sempre no final seu destino é esticar as canelas, como todo mundo.

O moço que não queria morrer” é a história de um jovem que conhece a Morte por acaso e resolve procurar um lugar onde ninguém morria. Ele acaba achando, mas a imortalidade terá uma condição.


A quase morte de Zé Malandro” conta a história de um jovem folgado que um dia ganha o dom de ser invencível no baralho, uma figueira que quem sobe nela só desce com seu consentimento, e um banco e um saco de pano que quem se sentar ou entrar nele só sai também com seu consentimento. E com isso engana a Morte e o próprio Diabo. Mas quando chega a hora de entregar a rapadura as coisas não saem do jeito que ele planejou.

Ricardo Azevedo adaptou esses contos populares de modo a levar as crianças e muitos adultos que não aceitam a morte a entender que ela é indispensável, implacável e faz parte da vida. Mais precisamente do fim dela. Para ele, a morte é um assunto que desde cedo deve ser tratado em nossa vida, daí a importância desse livro que a trata com poesia, graça e magia e é uma verdadeira, divertida e apaixonada declaração de amor à vida, a partir das histórias dos seus herois que lutam para vencer a morte.

*Ah e o livro também é riquíssimo para ilustrar diversas aulas sobre: semântica, figuras de linguagem, variação linguística etc.

Por Natália P. J. Santos.

4 comentários:

Natália Priscila disse...

Essa foi minha última postagem do período que me foi estabelecido para cuidar do blog. Tentei ser um pouco útil,rsrsrsrs, coloquei uma fotinha no perfil daqui do blog e no do orkut.

obrigada a todos e principalmente à professora Leonor pelo espaço...

Abraços!!!

leonor disse...

Legal, Natália, já fui ver o livro na Livraria Cultura. Adorei a indicação.

Você e Késia conseguem vender tudo sempre? :)

Késia Mota disse...

Ih, agora provei do meu veneno!

Vou ter que comprar! risos

Valeu, Natáliaaaaaaa

Bruna disse...

Gostei da indicação.
Tema que me fascina, acho que por conta do meu medo grande...
Um livro infanto-juvenil que trata desse tema de maneira maravilhosa é Corda Bamba de Lygia Bojunga :)