Como estamos na semana de Finados, não conheço nenhum outro tema melhor para se tratar dentro desse contexto que " A MORTE". Muita gente tem medo da morte, porém não adianta temê-la, porque uma coisa é certa: ela sempre vem, para alguns mais cedo para outros mais tarde, mas vem. O curioso é que a morte sendo uma trabalhadora tão assídua em seu emprego, tão responsável com seus horários, não faz distinção de ricos ou pobres, mas o povo sempre faz questão de xingá-la e ninguém a quer por perto. Um livro interessante para acabar com essa visão tão pessimista da morte é Contos de Enganar a Morte, de Ricardo Azevedo, da editora Ática. As ilustrações feitas pelo próprio autor são em preto e branco, em traço firme e grosso, lembrando muito xilogravuras de literatura de cordel. O livro traz quatro saborosas narrativas populares brasileiras de pessoas que não queriam morrer e inventaram truques astuciosos para escapar da morte.“O homem que enxergava a morte” traz a história de um homem que convida a Morte para ser madrinha de seu filho e em troca ela lhe concede o dom de adivinhar se um doente irá morrer ou viver. Com isso ele se torna um médico rico e famoso, mas é claro que quando chega a hora dele mesmo bater as botas a história é outra.
“O último dia na vida do ferreiro” narra a história de um ferreiro que não se seduz com falsas propostas de riqueza feitas pela Morte. Depois de ajudar uma velha necessitada, tem seus desejos atendidos e assim engana a Morte por duas vezes. Mas como sempre no final seu destino é esticar as canelas, como todo mundo.
“O moço que não queria morrer” é a história de um jovem que conhece a Morte por acaso e resolve procurar um lugar onde ninguém morria. Ele acaba achando, mas a imortalidade terá uma condição.
“A quase morte de Zé Malandro” conta a história de um jovem folgado que um dia ganha o dom de ser invencível no baralho, uma figueira que quem sobe nela só desce com seu consentimento, e um banco e um saco de pano que quem se sentar ou entrar nele só sai também com seu consentimento. E com isso engana a Morte e o próprio Diabo. Mas quando chega a hora de entregar a rapadura as coisas não saem do jeito que ele planejou.
Ricardo Azevedo adaptou esses contos populares de modo a levar as crianças e muitos adultos que não aceitam a morte a entender que ela é indispensável, implacável e faz parte da vida. Mais precisamente do fim dela. Para ele, a morte é um assunto que desde cedo deve ser tratado em nossa vida, daí a importância desse livro que a trata com poesia, graça e magia e é uma verdadeira, divertida e apaixonada declaração de amor à vida, a partir das histórias dos seus herois que lutam para vencer a morte.
*Ah e o livro também é riquíssimo para ilustrar diversas aulas sobre: semântica, figuras de linguagem, variação linguística etc.
Por Natália P. J. Santos.
4 comentários:
Essa foi minha última postagem do período que me foi estabelecido para cuidar do blog. Tentei ser um pouco útil,rsrsrsrs, coloquei uma fotinha no perfil daqui do blog e no do orkut.
obrigada a todos e principalmente à professora Leonor pelo espaço...
Abraços!!!
Legal, Natália, já fui ver o livro na Livraria Cultura. Adorei a indicação.
Você e Késia conseguem vender tudo sempre? :)
Ih, agora provei do meu veneno!
Vou ter que comprar! risos
Valeu, Natáliaaaaaaa
Gostei da indicação.
Tema que me fascina, acho que por conta do meu medo grande...
Um livro infanto-juvenil que trata desse tema de maneira maravilhosa é Corda Bamba de Lygia Bojunga :)
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