sábado, 26 de setembro de 2009

Professora dificultadora

A moda agora é essa coisa de linguagem politicamente correta. Deficiente é portador de necessidade especial; aluno é aprendente; negro é afrodescendente; professor é facilitador. Peraí. Considero essa uma das piores: professor é “facilitador”?

Nunca gostei dessa expressão. Primeiro porque dá a impressão de que a palavra “professor” agride, já que precisaria ser substituída. Depois porque facilitar as coisas normalmente é visto com a ideia de dar uma ajudinha antiética. “Ah, professor, facilita as coisas pra mim, vai? Eu tive média 6.0, me dá mais um ponto aí para eu não ir pra final?” Recentemente, ouvi uma versão ainda mais negativa de “facilitador”. Um professor que admiro muito, excelente professor, disse que não é facilitador, pois esta expressão é usada para se referir a “cafetão”, no interior. Isso mesmo, aquele homem que facilita as coisas para alguém conseguir parceiro para o sexo. Uau! Acho que as pessoas que inventaram essa moda não estavam por dentro da pragmática. Expressões consideradas politicamente corretas podem ser uma armadilha.

O que é, no entanto, ser politicamente correto quanto à linguagem? Tenho pensado muito sobre a questão do certo e do errado. Há diversos teóricos defendendo o ponto de vista segundo o qual não se deve dizer que alguém fala errado. Isso pra mim é muito confuso, sinceramente. Penso na hipótese de um aluno me aparecer falando: “Professora, dá o questionário pra mim fazer?” Aluno aplicado, não? Mas como eu deveria me comportar com ele? Pensar que no ambiente em que ele mora é comum usar a expressão “pra mim fazer”, que toda a família dele fala assim, a vizinhança dele fala assim, os colegas da escola falam assim, só a professora não fala assim e, portanto, dizer que ele não fala errado, mas usa uma variação diferente da que eu uso? Eu não poderia corrigí-lo, portanto?

A resposta a essa indagação é, a meu ver: “Pode corrigir, sim! Claro!” Esse estudante quer aprender (tadinho, até me pediu para fazer um exercício) e eu, como professora, tenho o dever de ensinar. O conhecimento da linguagem bem articulada não deve ser negado às pessoas só porque o ambiente em que elas vivem não fazem uso dela. Não me vejo como facilitadora, mas como professora. Professora, a meu ver, é “dificultadora”, mesmo. Usei a palavra para contrapor à outra, viu?

O menino, na minha hipótese, está no 3º ano do ensino médio, deve ter uns 17, 18 anos, sempre falou “pra mim fazer” e sempre conviveu com pessoas que falam assim. Eu não deveria colocar tanto problema na cabeça dele, forçando o coitado a falar diferente do que sempre esteve acostumado. Deveria facilitar a vida dele. Seria isso? Não penso em facilitar coisa nenhuma. Penso em dificultar mesmo. O menino vai fazer o vestibular, vai elaborar uma redação que vai ser corrigida por excelentes professores da universidade; estes professores não vão querer ver escrito “pra mim fazer”. Depois, aprovado no vestibular, esse menino vai para a sala de aula de uma universidade e vai participar nas aulas. “Pra mim fazer” não vai pegar bem. Algum tempo depois, ou quem sabe mais cedo do que a gente pensa, ele vai a uma entrevista de emprego. O entrevistador não vai gostar de ouvir “quero trabalhar aqui pra mim fazer o que gosto”.

Com a ideia de ser um facilitador, muito professor de literatura não estuda mais os clássicos com os alunos. A garotada não gosta mais de clássicos, eles querem algo mais fácil. Então vamos facilitar: livros infantis para eles. Que horror!*

Enfim, o que eu quero dizer, afinal, é que a comunicação deve ser expontânea e agradável, sim. Dizer para uma mãe que o seu bebê é feio, por exemplo, isso não é politicamente correto. “Mas ele é feio mesmo?” Ora, alguma outra virtude o bebê tem, então não precisa falar sobre a beleza, fala de outra coisa: “Que bebê desenvolvido! Como ele é esperto!” Igualmente, na sala de aula, o professor não deve dizer: “Pra mim fazer, menino! Que burrice! Fala direito!” Politicamente correto, no caso, não é fingir que ele não errou, mas falar sobre isso com ele de forma elegante, agradável, sem ferir. Tentar ensinar à turma toda, em outra ocasião: “Hoje vamos falar de uma questão sobre a qual muita gente tem dúvida: qual a forma correta de se falar: pra mim fazer ou pra eu fazer?”. Enfim, ser politicamente correto é muito mais do que usar palavras que algumas pessoas determinaram. Está no coração.

Um abraço a todos!
Késia Mota



*Quero deixar claro aqui que eu não sou contra a onda de Harry Potter, Crepúsculo, As Crônicas de Nárnia e outros livros, nas escolas. Nunca li Crepúsculo, na verdade, mas li os 7 volumes de Harry Potter e gostei muito. Dá para aplicar, com certeza. Mas não se pode abandonar os clássicos. Dia desses ouvi um professor de literatura dizer que os alunos não gostavam dos clássicos e pediram algo que falasse de sexo (sic). O professor, muito sábio, levou livros que abordam o tema. Contos eróticos, livros com fundo erótico, todos clássicos (Madame Bovary, O Primo Basílio...). Parabéns pra ele!

19 comentários:

Késia Mota disse...

Sei que não é a minha semana, no blog, e que a minha semana passou faz tempo, mas como ninguém postou na semana (20-26/09), exerci a liberdade de expressão. rsrsrsrs

leonor disse...

Obrigada, Késia! Bem, todo mundo pode postar sempre que quiser. A idéia de distribuir as semanas era para que não faltasse assunto. Mas já vi que o pessoal tá muito frouxo, mesmo. Ninguém se mexe. Detestável, mas parece que vou ter de tomar providências. Que horror.

Desculpe, Késia, só comento o seu texto depois, tá? Agora estou mesmo é chateada, nem fui olhar de quem eram essas semanas que passaram, pra não piorar meu humor. E eu aqui todo dia espiando pra ver se aparecia algo novo! Uff.

Márcio Leitão disse...

Késia,
concordo com você sobre a nomenclatura que não me parece muito feliz em "professor facilitador" e nos termos que você usa acho que o professor deveria ser "um esclarecedor de complicações" e não exatamente um dificultador. De qualquer maneira, acho que ele não deve fugir das complicações que existem na apreensão do conhecimento, deve encarar a complicação junto com os alunos.
Quanto ao seu exemplo lingüístico do "pra mim fazer", aí já descordo totalmente, e, sinceramente, me causou espanto, sua opinião sobre essa questão do falar errado e falar certo, já que você disse que adora sociolinguistica. O aluno que você exemplificou não pode ter falado errado, porque não existe fala errada (exceto em casos patológicos), não tem a ver com politicamente incorreto no caso, tem a ver com um saber lingüístico já de alguns anos, ninguém fala errado na sua língua materna, não tem como. Ao contrário do que você afirma, me parece que essa postura "linguisticamente" incorreta é o caminho mais fácil para a explicação da questão com o aluno, pois levar em consideração que há uma ou mais explicações para a produção da estrutura "pra mim fazer" (utilizando a teoria do caso da gerativa por exemplo), levar em consideração sim que faz parte de uma variante não padrão, explicar a questão da possível inadequação dessa variante estigmatizada em determinados contextos e que isso não tem nada a ver com questões lingüísticas propriamente, explicar que ninguém fala como essa norma padrão preconiza, mas que algumas estruturas são sim estigmatizadas, etc... Acho que é bem mais difícil explicar levando em consideraçãò, de fato, a lingüística, do que simplesmente dizer que está errado e dizer a forma que, supostamente, é a correta.
De novo, falei demais!

Márcio Leitão

Andréa Ferreira disse...

Achei muito interessante, é verdade. Tem que corrigir mesmo. Assim como se corrigi alguém, quando fala um palavrão . Se corrigi quando fala errado. Eu sei que já está no cotidiano de algumas pessoas falar errado, assim como falar palavras obscenas também estão. Mas assim como você sabe que certas palavras não se dizem em alguns lugares. Falar errado também tem que ser corrigido. Assim ele não sai de uma escola falando errado e dizendo: "Não me serviu pra nada as aulas de Gramática". Que é o que mais eu ouço por ai. Falar correto é bom pra vida, pra arranjar emprego, arrumar paquera, kkkkk, Enfim, até pra impressionar alguém, ou tentar convencer alguém de alguma opinião sua. Não digo falar todo pomposo, cheio de mesóclises. Mas apenas falar correto.

MONITORIA DLCV disse...

Nada melhor do que um bom professor de linguística, para esclarecer a questão. Obrigada, Márcio!

Entendi a sua explicação.

Eu quis chamar a atenção pra outra coisa. Eu deveria ter questionado o porque de algumas pessoas não terem preocupação com o ensino da norma padrão. Eu tenho colegas de turma, no curso de Letras, que cometem falhas sérias, como escrever e-mail pra mim perguntando: Késia, voçê sabe quando vai ser a prova tal? (sem erro de digitação, pois é recorrente). "Pra mim fazer" ocorre demais. Isso não deveria ocorrer em estudantes universitários, creio. Quer dizer, no ensino fundamental e médio, alguém deveria ter corrigido isso neles, sei lá. Sei que devo explicar os mecanismos linguísticos, mas ainda acho que devo ensinar como reza a norma padrão.

Aceito mais explicações. Estou aqui para aprender. Inclusive, cortei um pedaço do meu texto original, tirei um probleminha bem no início dele.

Késia

Débora Accioly disse...

Olá! Gostei da descoberta desse blog! :) É uma questão polêmica essa, até entre os linguistas né? Mas, seguindo a Sociolonguistica mesmo, podemos e devemos defender essas questões particulares. No Brasil, as regras de fala vieram das regras escritas. A gente não escreve como se fala, se fala como se escreve. E isso é complicado. É um valor imposto pelas elites dominantes. O falar errado não deixa de ser uma exclusão social imposta por essa elite!

Mas ficou muito bom o texto Kesia!

Unknown disse...

Palavras fortes as suas! Mas entendo o seu ponto de vista, acho que faltou um pouco mais de clareza em seu texto. O prof. Márcio Leitão comentou sobre alguns pontos importantes.

Partindo para o seu singelo conhecimento, creio que o professor é mais que o nome "professor", "dificultador", "facilitador" ou "esclarecedor de complicações", é, de fato, um educador. Ele deve-se ater a tudo o que o aluno faz em sala, mostrando o forma certa de de Educação (seja qual tipo for). Mas não podemos deixar dizer que nem todos os alunos querem receber educação. No nosso caso, a discussão linguistica, realmente não é errado falar o "pra mim fazer"; de forma alguma. Mas podemos afirmar que em determinadas situações essa forma pode ser substituída pela sua forma culta, como é o caso de um vestibular ( e ainda dependendo do gênero textual proposto)!

Carlos.

Márcio Leitão disse...

Carlos,
seu comentário é completamente pertinente. O que está em jogo no meu comentário não é não ter algum tipo de intervenção sobre o aluno que faz uso da variante não padrão, e sim que essa intervenção deve ser adequada e utilizando o conhecimento já construído pela cïência linguistica, e não jogando fora esse conhecimento, pois isso em nenhuma cïência ocorre. É essa observação de que profissionais de Letras possam jogar fora esse conhecimento construído em anos de pesquisa que me deixa, às vezes, assustado. É como se um profissional da química dissesse que o átomo ainda é a menor partícula da matéria, é como se um biólogo negasse o DNA, é como o astrônomo dissesse ainda que o sol é que gira em torno da Terra, etc. Isso me assusta.

Abraços e apesar dos sustos estou achando um espaço ótimo de interação.

Márcio Leitão

Valdenice disse...

Essa é uma questão fundamental para analisarmos. O embate atualmente está em corrigir ou não o aluno que não fala de acordo com a norma padrão. Acredito que o fio condutor para esse problema seria o uso dos Gêneros Textuais. Trabalhando nessa perspectiva, o professor como mediador e não como dificultador poderá mostrar que há uma adequação no uso da língua e que a linguagem que se usa no cotidiano não é a mesma que usamos ao escrever uma redação de vestibular. A norma padrão tem que ser ensinada sim, mas de forma que não desconsidere a linguagem que o aluno fala no seu cotidiano.

finopapo disse...

Os professores Márcio Leitão e Carlos já atentaram para o que eu tinha a dizer. Temos que ter em mente que a língua é “viva”, está em constante evolução e isso ocorre naturalmente desde sempre. Grande exemplo disso é a nossa própria língua que é fruto da evolução do latim. A norma padrão serve como uma barragem que tenta deter o avanço desenfreado de um rio caudaloso. Por isso é importante, sim, mostrar ao aluno que há “variações” na língua, que o discurso deve ser adequado ao contexto e que o mundo profissional exige a correção gramatical. Pontos negativos e positivos podem ser apontados tanto para a correção quanto para a “flexibilização” do uso da língua. Compreendo que para muitos professores – nenhum deles entre nós, espero - se sinta impelido a manter o ensino da norma padrão de forma engessada por pressão da instituição ou pela complexidade e trabalho que dá ensinar a “gramática” de forma mais eficiente e eficaz. Com isso não sugiro que haja uma forma/fórmula mais correta de ensinar nem que sou exemplo a ser seguido, mas que é importante o professor se esforçar em por em prática o ensino do que chamarei aqui de “gramática induzida”. Atento para isso por uma questão metodológica básica apontada pela própria psicologia – é só nos lembrarmos de nossas aulas de psicologia da educação. O conhecimento prévio dos alunos é de fundamental importância para que possamos construir novos conhecimentos, como bem atentou o professor Márcio. Daí a importância de utilizarmos os gêneros textuais, uma vez que há tipos de gêneros com os quais os alunos têm mais contato. Por isso, muitas vezes, os clássicos não são bem recebidos, uma vez que estão na lista de gêneros desconhecidos/pouco comuns para os alunos – além de, possivelmente, possuírem uma linguagem muito “complexa”. Assim, creio, sim, que o professor possa ser chamado de “mediador” ou “facilitador”, mesmo que muitas vezes mais parece que ele está sendo um “dificultador”. No fim das contas, como disse Carlos, somos mesmo é educadores – algo que transcende, ao meu ver, os termos anteriores.

Abraços [e perdoem o texto corrido],

Daniel Costa

nathália disse...

Eu também discordo, Késia, desse professor "facilitador" que existe hoje, mas não quer dizer que devemos tornar as coisas difíceis, ninguém aprende com trauma. Vamos lá na origem da nossa língua: a palavra "aluno" vem do particípio verbo latino "alere", que quer dizer nutrir, alimentar. Logo, o aluno é aquele que é nutrido de conhecimento, que se alimenta disto. É aí que entramos nós, professores. Não estamos aqui para vomitar conhecimento, estamos aqui nutrindo nossos alunos, fortalecendo-os, porque um dia eles o farão com outras pessoas - não necessariamente em sala de aula.

Sabe quem me ensinou isso? A mesma pessoa que falou aquela frase que você citou no seu texto! Vou falar baixinho aqui pra pouca gente ouvir: Pra mim, só essas conversinhas na hora do café valeram mais que todas as disciplinas de educação que eu já fiz. Rsrsrs


Quanto a questão do "pra mim fazer"... Eu acho complicado. Porque não é possível que esse aluno, aos 17 anos, nunca tenha ouvido a forma "pra eu fazer". Principalmente para um aluno de letras! Mas é como já foi dito anteriormente, essa expressão faz parte do "dialeto" (uso essa palavra por falta de outra melhor no momento) daquela pessoa. É igual ao nosso "Me dá esse livro", né? Um monte de gente já aprendeu que tá errado, mas quantas vezes você ouviu a forma correta?

Késia Mota disse...

Comentaram aqui que a língua é viva, que evolui, que não há que se falar em certo ou errado, que se deve perceber a variação da língua. Ótimo! Quero deixar claro que eu CONCORDO com tudo isso, é claro, né gente? Ainda, sendo monitora de Leitura e Produção de Textos, sou pelo ensino em gêneros. Aliás, tive professores que já ensinavam a partir de gêneros nos anos 80, talvez 70, viu?

Creio que a questão da variação é algo que não se percebe apenas no ambiente acadêmico. Mas há uma questão. Determinadas variações são rejeitadas de forma enfática. “Pra mim fazer” é um exemplo, e há outras, como "pobrema". Imagina o Brad Pitt, na sua frente, olhando pra você e falando: "algum pobrema?" [mode sinceridade aguda on] Até ele eu evitaria, se me viesse falando pobrema,né? [mode sinceridade aguda off] (Os meninos podem ler Angelina Jolie, para ficar em família rsrsrs).

Eu penso que o estudante quer, na escola, saber que há variação na língua e que há explicação para essa variação. Mas ele quer sair de lá pronto para se expressar de maneira elegante, no momento em que isso for esperado dele. Acho meio difícil para nós, que escrevemos bem (basta ler as postagens acima), compreendermos o que se passa pela mente dos outros, que querem aprender a escrever e falar bem assim.

Como eu já disse, essa é uma questão que, para mim, não está explicada. Creio que o Marcos Bagno, assim como a Bortoni-Ricardo, usaram exemplos pouco esclarecedores, como “cê viu ela”, que qualquer um, inclusive os mais eruditos usam, nas conversas informais. Mas não falaram francamente sobre expressões mais rejeitadas.

Como eu disse, e o Márcio estranhou a minha postagem por isso, adoro a sociolinguística, mas quero que me esclareçam sobre este ponto que me causa estranheza. Digam-me, sinceramente, algum professor de vocês, na universidade, deixou de marcar um traço ou um x em caneta vermelha sobre expressões elaboradas em desacordo com a norma culta?

Tentei resumir, mas veja no que deu. Parece que a moda é postar texto longo, mesmo. rsrsrs

Abração, Késia.

Késia Mota disse...

Quanto à expressão dificultadora, foi provocação, né? Como eu disse pro Márcio, acho que eu dei uma de Marcos Bagno ao contrário, mas creio que deixei isso implícito em "Usei a palavra para contrapor à outra, viu?"

Ou seja, "dificultadora" é apenas para provocar os usuários da expressão que eu não gosto, nunca gostei: professora facilitadora.

Peguei aversão à expressão quando lecionei em uma faculdade particular, em Brasília, no curso de Direito e, numa reunião, o coordenador do curso comentou que nós deveríamos nos lembrar de ser facilitadores e a coordenadora pedagógica disse claramente deveríamos agradar os alunos com notas altas para que eles não ficassem insatisfeitos e fossem procurar uma outra entre zilhões de faculdades em Brasília. Um professor deu nota zero para uma turma inteira, em um trabalho, porque todos copiaram de um site, na internet. Daí veio o discurso do professor facilitador, proferido pelo coordenador. O professor dos zeros quase foi demitido.

O interessante é que o debate está sendo muito bom!
Estou adorando!

Éris disse...

Então... concordo plenamente com os comentários do Professor Márcio Leitão, até porque ele mostrou em sala de aula o que realmente é a lingua e a linguagem, para quem já pagou teoria Linguística II com ele sabe como é, para quem não pagou ainda ele se fez entender muito bem por aqui mesmo.

Késia, faço minhas as palavras de Nathália... enfatizando o que ela disse sobre as horas do café!

Agora creio que por mais que meus critérios pessoais me levem a não gostar de alguns livros que estão circulando entre os mais vendidos por aí, acho que também se deve dar um crédito as pessoas que os escolhem para ler, afinal eles estão lendo algo, debatendo, sendo levados aos cinemas por causa dessas leituras. O importante é que comecem, as escolhas se aprimoram com o tempo. Tenho orgulho de ter começado a ler com Agatha Cristie, Tolkien, J. K. Howling, Connan Doyle, e hoje tê-los guardados na estante como lembranças de onde eu comecei. A diferença é que muitos adolescentes (ou não), estão começando com Crepúsculo, não vejo como ponto negativo, e creio que não há o porque fazer disso um.

"A leitura especializada é útil, a diversificada dá prazer." (Sêneca)

"Descobri que a leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos?" (Fernando Pessoa)

Até mais! o/

Márcio Leitão disse...

Pessoal,
vocês acham, como Késia, que se dispensaria o Brad Pitt e a Angelina Joulie por conta de um simples "pobrema" ou um "pra mim fazer"????
Isso é que é levar o preconceito lingüístico ao extremo!! rs

abraços, dessa vez, resumidos!

Márcio Leitão

Késia Mota disse...

Éris, não entendi.

Há uma nota no final da minha postagem. Leia o que eu disse sobre Crepúsculo, Harry Potter, As Crônicas de Nárnia e outros que estão na moda entre os adolescentes.

;)

Márcio, não pergunta isso pro pessoal, não, pois talvez, teoricamente, todos digam que não dispensariam, até porque o cara da minha hipótese era ninguém menos que o Brad Pitt, né? Mas na vida real DU-VI-DO! Essa eu queria só ver! Quer me enganar, é?

risos e mais risos

Bruna disse...

Essa expressão "professor facilitador" me faz lembrar das pedagogias permissivas, do professor que de repente virou O amigo dagalera, quando não O animador da turma. É só ir pras bizuradas da vida que a gt vê aos montes. Ridículo.

Concordo com Carlos qd diz que, acima de tudo, deve ser educador.
Concordo com o que Márcio falou tb.
Acho que todos nós concordamos que o certo mesmo nessa história é falar de acordo com o que o contexto pede. Então devemos trabalhar pra que os alunos possam dominar a norma padrão sem subestimar nem deixar de reconhecer a importância que a sua variação.

Quanto ao ensino da literatura e a leitura dos clássicos, não podemos deixar de trabalhar com eles na sala de aula. Jamais. O que devemos fazer é aproveitar a experiência de leitura desses alunos - ainda que quase nulas. Se eles reconhecerem a importância dos clássicos e o quanto eles são revividos a cada geração acho que o fascínio vem naturalmente.
Num é fácil, mas cabe ao PROFESSOR o sucesso desse árduo trabalho.

Tem outras coisas que gostaria de dizer, mas acho que o essencial é isto.

Beijos a todos.
Adoro o movimento.

PS.késia, mt pertinentes seus temas. Gosto de ler o que você escreve. Parabéns.

Késia Mota disse...

Valeu, Bruna!

Finalmente, um carinho! risos

Também adoro a maneira objetiva e clara como você aborda a questão. Especialmente gostei disso: "cabe ao PROFESSOR o sucesso desse árduo trabalho".


É isso aí!

Edilerrandro disse...

Olá, Kesia!
Eu acredito, sinceramente, que se falarmos que um aluno está errado por ter dito a expressão "pra mim fazer", devemos dizê-lo que se torna errado segundo a norma padrão da língua portuguesa e não simplesmente dizer que está errado e ensiná-lo a norma culta. Pois quem erra, o faz porque existe uma forma padronizada vigente.

Acredito que o erro está diretamente ligado à situação de uso comunicativo da língua. Não faz sentido, por exemplo, esse mesmo aluno que você citou chegar aos seus pais e dizer "Ilustríssimo papai, venho mui dignosamente pedir-vos um aumento na minha mesada". Soaria até engraçado. rsrs
Porém, numa situação em que exiga a forma culta, cairia muito bem, como, por exemplo, em um requerimento, numa situação escrita.
A meu ver, precisamos corrigir o aluno sim, mas naum uma correção nos moldes tradicionais. A correção deve ser feita mostrando-lhe seus erros gramaticais, porém, não devemos menosprezar a existência visível de variação linguística, seja ela causada por fatores históricos, sociais, culturais e/ou financeiros.

Em relação ao termo "facilitador", acredito que não devemos nos prender a origem da palavra, tendo em vista que, com o passar do tempo, podem adquirir novos significados. Se "facilitador" é usado no Interior para se referir a “cafetão”, é percebido que seu significado quando usado para se referir ao professor não é o mesmo.
Talvez, seja o mesmo processo que houve com a palavra "ficar" que, com o passar do tempo, ganhou o significado de "estar com um parceiro(a) e dar umas bitoquinhas". rsrsr
Quero dizer que, muitas vezes, a palavra adquire novos sentidos, os quais variam de acordo com o contexto.
Assim penso.

Peço a vocês um pouco de paciência comigo, ok! Pois é a primeira vez que escrevo aqui no blog e a coragem às vezes não aparece. rsrs

Abração.
Até mais.